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  Osvaldo Simões Filho  

O sonho, as alenquerenças e um prefácio desnecessário

A POESIA de Osvaldo Simões Filho é nutrida por um sentimento telúrico muito forte, algo que lembra uma enchente amazônica, uma preamar necessária na escrita deste poeta que traz o rio dentro dele. E enganase quem pensa que Osvaldo Simões Filho está iniciando nesta difícil arte de transmitir o mundo e suas notícias através do olho e da mão do artista. Desde 1984 leio seus poemas publicados nos jornais macapaenses. E tenho agora em mãos este pequeno e selecionado volume onde encontro formas de cantigas debruçadas sobre a placidez de um lamento ximango.

O REGIONALISMO presente na maioria dos textos decerto provocará aqueles que detestam nossas expressões particulares e que teimam em insinuar que a arte só pode ser vista como boa obra se for pela ótica do colonizador europeu (infelizmente ainda há quem pense assim). Provocará, sim, mas sem dúvida deverá rejubilar aqueles que, como o autor, valorizam e preservam, a partir dos termos aqui usados, a autenticidade amazônica e nossa especialíssima herança lingüística, porque a grandeza da nossa região, por si só enseja poesia e com isso constrói sua própria utopia.

ESTE TRABALHO diz que a sua intenção mais aparente é um desafio para alguns. Para outros é apenas sentimento e saudade. Contudo, o que conta mesmo é o mergulho que o poeta faz no imaginário das terras de Alenquer cidade onde viu o mundo pela primeira vez discorrendo sobre uma lírica identidade com suas alenquerenças e um vôo de gavião cujo rapto inevitável da geografia e do pensar dos homens fazse como o espanto.

VALE MUITO nestes textos a vivência e a militância política do autor, que também já excursionou pelo teatro e que hoje faz da poesia motivo especial para interpretar nossa realidade, nossas angústias e o sonho amazônico de ser mais que um retrato roubado da paisagem.

(Fernando Pimentel Canto é sociólogo, escritor e compositor)

 

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