A
LENDA DO NOME ALENQUER.
A LENDA DO NOME ALENQUER.
Aldo Arrais (Ariú Sorubá).
História que meu bisavô contou para meu avô/
Meu avô contou para meu pai e eu conto para meus netos e bisnetos...
No centro do antigo matagal
Bem no meio do tucumanzal
Que ficava de traz da capelinha
Onde os moleques de outrora
Botavam arapucas pra pegar rolinhas.
Palhoça de Preto Velho “Lesp-Lesp”
E de suas irmãs velinhas (Francisquinha e Aurora)
Magras, desdentadas, jururús.
Que criavam galinhas e perús.
Mais ou menos, onde hoje
Está plantado o Posto da Fundação SESP
Caminho, que agora é uma avenida.
Morava o Preto Velho “Lesp-Lesp”
De nome ignorado e de idade indefinida.
Onde fica o altar mor de Nossa Igreja Matriz
Tinha um oco de pau
O cachorrinho de Frade Zé Luiz
Se chamava “ALEM”.
1881. Dia 10 de junho
“Vila Surubiú” estava sendo batizada
Com o nome de A L E N Q U E R
Tucháua dos abares que ia partir
Lá pras bandas do lago do “BEM-BEM”
Ia pescar nos baixios e no peráu
E ia caçar também.
O cachorrinho “ALEM”
Em plena madrugada
Começou a latir... A latir... A latir...
E ficou acuando o dia inteiro
No oco do pau.
Foi à força do Destino?...
Ou a predestinação?...
Será LENDA ou verdade?...
O Vigário chamou tio Zé João
Caseiro e sacristão
E lhe disse:
- Vai ver o que o “ALEM-QUER”
- Vai ver o que o “ALEM-QUER”
A noite vem caindo
O cachorrinho está insistindo
Passou o dia todinho
Repetindo esse “ái-áu-áu”
E latindo no oco do pau.
No coração ocádo da velha castanheira
Tio Zé João do Possidônio
Encontrou a imagem verdadeira
De nosso SANTO ANTONIO
- Vai ver o que o “ALEM-QUER”
- Vai ver o que o “ALEM-QUER”
Do ventre da árvore tombada
Do seio da árvore-mulher
Nasceu nossa cidade abençoada
“ALEM-QUER” – “ALEM-QUER” – ALEM-QUER”.
Fonte: Programa da festa de Santo Antonio – Junho de 1981.

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