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Marambiré de Alenquer e o Festival de Tribos de Juruti foram premiados
EDUARDO ROCHA
Da Redação
As culturas negra e indígena no Baixo Amazonas, na área dos municípios de Alenquer
e de Juruti, acabam de se tornar patrimônio cultural do Estado, mediante
publicação ontem, no Diário Oficial do Estado, de duas leis sancionadas
pela governadora Ana Júlia Carepa. Pela Lei 7.112/2008, passa a ser patrimônio
cultural paraense o Festival das Tribos realizado anualmente em Juruti,
na fronteira com o Maranhão, por funcionar como uma programação de divulgação
das culturas regionais, enfocando as tradições e costumes da população
desse município. E pela Lei 7.113/2008 é considerado Patrimônio Cultural
e Artístico do Pará, a dança marambiré, como expressão do município de
Alenquer.
De acordo com o secretário de Estado de Cultura, Edilson Moura, as duas
leis demonstram a intenção do Governo do Estado em valorizar aspectos
da cultura negra e da cultura indígena com forte presença na história
do povo paraense, expressos artisticamente ao longo dos anos. A dança
do marambiré é uma expressão tipicamente africana, trazida pelos negros
que vieram para a Amazônia durante o ciclo da escravatura de sustentação
dos engenhos na região, em particular no Estado. No Baixo Amazonas, o
marambiré formou raízes que compuseram a identidade da população dessa
região paraense, em particular na área de Alter do Chão, em Santarém,
Alenquer, e adjacências.
Tanto que existe o marambiré de Santarém e o marambiré de Alenquer, este
funcionando como uma espécie de ritual, em que os participantes simbolizam
reis africanos do Congo, com indumentária e coreografia específicas.
As letras e o canto das composições utilizadas na dança envolvem os idiomas
português e africano. Há uma marcação muito forte dos dançarinos em círculo,
funcionando como um cortejo, marcha.
TRIBOS
Já o Festival de Tribos acontece desde o começo da década de 90, no último
final de semana do mês de julho. A manifestação cultural mobiliza a Associação
Folclórica Cultural e Recreativa 'Tribo Muirapinima' e a Associação Folclórica
'Tribo Mundurukus'. Essas duas entidades, como é dito no texto da Lei
.7.112, são incluídas na declaração de patrimônio cultural do Estado
referente ao Festival. Pela legislação sancionada, o Governo do Estado
assegura apoio ao Festival de Tribos através da política estadual de
cultura, incluindo-o no calendário oficial de eventos culturais do Pará.
No Festival, cerca de cinco mil espectadores concentram-se no 'tribódromo'
por três dias para assistir à performance das tribos Muirapinima e Munduruku,
bem como números de cordões de pássaros, bois-bumbás, quadrilhas juninas
e carimbó. A primeira disputa entre as duas tribos data de 1995. Essa
'rivalidade' surgiu, como consta da lenda, com o nascimento de um curumim
com cabelos vermelhos e feições diferentes de seu povo Munduruku, que
o rejeitou. A família do índio, então, abandonou a aldeia, passando a
morar próximo ao Lago do Juruti Velho, onde havia um bosque de muirapinima,
vegetação largamente utilizada para a fabricação de móveis no Pará Colonial.
A família do curumim gerou um novo povo indígena, desta feita os Muirapinima,
em homenagem à árvore-símbolo da sobrevivência do pequeno índio.
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