___________A Coluna do Aldo__________
ALDO ANIBAL LOPES ARRAIS. alenquerense radicado em Brasília (DF), filho de Antonio Aldo Arrais Batista Torres de Castro. É advogado, historiador e ambientalista.
Um pouco da História de Alenquer - Parte II
Fico sempre com um pé atrás com estas datas que homenageiam "categorias" de pessoas no estilo dias das mães, dos pais, da sogra, do índio, do evangélico, etc... Sem falar no fraudulentíssimo Natal que nada tem a ver com o nascimento de Cristo, mesmo porque Cristo nasceu em outubro e não no gelado inverno, todos sabemos que o Natal em dezembro é invenção dos romanos, para a data coincidir com suas festas pagãs, e bota pagã nisso. Ontem 08 de março dia internacional da mulher, parabéns ás mulheres, que agora tem o dia delas, e os outros dias, são de quem? Continuo achando que estas datas nada mais são do que pequenos ou grandes golpes dos gênios do markentig comercial, e olha que ontem as floricultoras e casas de presentes faturaram alto, pena que nos outros dias as mulheres continuem em sua eterna luta pela igualdade de direitos, que só no papel já se realizou. Claro que aconteceram avanços e muitos, podemos até ter uma mulher presidente, falar de mulher não é bem falar de feminilidade em alguns casos explícitos, e disso bem sabemos, mas mulher é mulher, e todos nascemos delas, isso já é motivo de nos curvarmos a elas, todo o poder ás mulheres...
Concluo aqui o escrito e transcrito sobre o "movimento" de 1964, com relação à política em Alenquer, que neste mês completa 46 anos e de tão recente ainda nem foi bem esmiuçado, e como brasileiro adora criar mitos e ritos, cabe a historia lançar um pouco de luz neste túnel ainda lacrado, mas que aos poucos vai se abrindo, "temos sede de conhecimento, e não aceitamos a pecha de alienados" acho que foi o Professor Cristovam quem proferiu tal sentença...
MANIFESTO
Dando maior ênfase ao sentido de seu gesto de renúncia o Sr. Antonio Aldo Arrais traz a público, através de manifesto que abaixo transcrevemos os motivos de autêntico sentido pacifista que o levaram a abrir mão de sua reintegração no cargo: "Ao povo de Alenquer, que me elegeu prefeito municipal, a Câmara dos vereadores, que me reintegrou no governo do Município, fazendo cessar um esbulho que a envilecia, devo, neste momento em que me sinto extraordinariamente reconfortado, explicar, também a renúncia que nesta data encaminhei aos senhores vereadores.
A decisão unânime da Câmara de Vereadores, reintegrando-me no cargo que a votação popular me conferira. Eu a recebo como uma reparação e uma manifestação de verdadeira justiça. Desmentidas e pulverizadas todas as falsas acusações que me foram feitas, comprovando que toda a ação desencadeada em meu município, onde até o sangue inocente foi derramado para satisfação de apetites políticos pouco recomendáveis, não passou de uma trama urdida pra tentar me aniquilar, sufocando ao mesmo tempo a voz livre e independente dos oposicionistas, provado que a coação policial provocou as humilhações contra meus familiares contra meus amigos e chegou ao extremo da cassação de meu mandato, eu agradeço aos senhores vereadores a de cisão reparadora.
As forças armadas que agiram , em relação a Alenquer, com absoluta isenção alheias as emoções do partidarismo mas norteadas por invulgar sentimento de justiça, eu dedico, neste momento de reparação, as minhas melhores homenagens, no reconhecimento das virtudes cívicas e dos sentimentos patrióticos que lhes deram a glória consagrada na Historia Nacional.
Plenamente reparado de tantas injustiças, venho no entanto proclamar ao povo de Alenquer que renunciei ao meu mandato, afastando-me do governo municipal menos pelo sentimento covarde da fuga, mais pelo desprendimento pessoal no reconhecimento de que o município de Alenquer necessita de tranqüilidade política, que, agora, cessada a influencia nefasta do passado governo estadual, lhe será dada, com perenidade, pelo novo governo inaugurado no Estado do Pará.
Diante desta perspectiva, não desejo, um só momento, que minha presença na Prefeitura de Alenquer, em decorrência dos atos que devem ser praticados na apuração de responsabilidades, pudesse ser invocada como motivo de suspeita, atribuindo-me razões de pura represália, tantas foram as humilhações que sofri de parte daqueles que, na conformidade da justiça, não encontram qualquer simpatia ou apoio.
Ao povo de Alenquer ofereço minha renúncia em troca da tranqüilidade que ele bem merece e pela qual tanto lutou, enfrentando a corrupção e resistindo a violência policial, na certeza de que essa tranqüilidade lhe será proporcionada, agora pelo governador Jarbas Passarinho e pelo valoroso companheiro José Simões, sem que lhe seja cobrado qualquer preço, muito menos o do sacrifício, o da honra e da dignidade”.
Esta é a integra, sem tirar nem por, apenas a transcrição, e volto a repetir que meu único interesse é histórico, não tendo nenhuma intenção em "remexer" sentimentos pessoais, de personagens envolvidos neste episódio, mesmo porque eu era apenas um menino de 05 anos e de nada me lembro, e sequer conheço os personagens desta época, a não ser alguns e mesmo assim, fora deste contexto, portanto me considero isento para proceder, como deve ser todo aprendiz de historiador, em breve publicarei um pequeno estudo que fiz sobre a participação do maior "nome" Ximango neste movimento, o escritor Benedicto Monteiro, provavelmente na data da sua prisão”.
Este escrito de hoje vai para o meu amigo Dr. Sérgio Fonseca e sua família, advogado atuante no baixo-amazonas e grande alenquerense (até no tamanho) e amigo de muitas alegrias.
A aniversariante de hoje é minha filha Thaiza Lira de Carvalho Arrais, que faz 19 anos, parabéns minha filha que Deus te abençoe sempre.
Fiquem com Deus...
Postado por Aldo Aníbal Lopes Arrais.
Um pouco da histporia de Alenquer - Parte I
Estivemos fora por alguns dias, estava atarefado com a conclusão da parte escrita do projeto Micro Usinas Familiares, mas que finalmente se concretizou, ainda bem. Estamos no mês de março e olhando um catálogo de publicações, vi que vários livros sobre o "Movimento de 1964" estarão sendo lançados neste período, em que tal ato-fato histórico completa 45 anos.
Alguns já me perguntaram por que falo "Movimento" ao invés de golpe ou revolução, ora as duas palavras são de extrema radicalidade, tanto de um lado como de outro, e como aprendiz de historiador, prefiro um termo mais técnico, menos apaixonado, menos parcial, ou se possível imparcial, este é o papel do historiador, as paixões deixo para os juízes da história.
Voltaire, o filosofo que se meteu em muitas enrascadas, e de certa feita após um período no cárcere foi a um evento e ali se encontravam vários "amigos" seus e lá constatou com tristeza que muitos dos que se diziam seus amigos, com medo de terem seus nomes associados a ele, passaram "murmurar", ou seja, o evitavam e se afastaram dele. Por que falo isso? Ora a historia é mais ou menos como estes amigos superficiais de Voltaire, dependendo do seu grau de envolvimento, é doloroso ou não se reportar ao tema. Para mim é particularmente fascinante estudar este período, eu tinha na época 05 anos e de quase nada me recordo, mas estudei com afinco os acontecimentos que antecederam e se seguiram ao 31 de março de 1964. E este documento que vou aqui transcrever é um documento público, e minha pretensão com isso é apenas histórica, todo povo dever conhecer sua historia, por mais que ela traga amargas lembranças, ou mesmo alguém se sinta "ferido", a história o nome já diz, está acima de paixões pessoais. Este artigo foi publicado no Jornal a "Província do Pará" de 22 de Junho de 1964, e também deve estar nos "anais da Câmara Municipal de Alenquer, se o fogo do tempo e da ingonrância não destruiu, para mim transcrever estes fatos e comentar sobre eles, tem o sabor de uma preleção escolar, apenas isso, sem nenhum tipo de motivação política já que no papel de me reportar a historia, ajo como historiador, só isso. Mas como evitar falar de política? E como eleitor já declarei meu voto aqui mesmo neste espaço e volto a reiterar: Sou Marina Silva desde criancinha. Vamos ao documento: "PREFEITO DE ALENQUER RENUNCIOU”.
Após os dias de agitação e violência políticas que recentemente viveu o município de Alenquer, com a instituição de um verdadeiro regime de terror e perseguições pelo grupo pessedista com o apoio e cobertura da policia do Estado, volta aquele município a gozar novamente de merecida tranqüilidade graças a intervenção das Forças Armadas que restauraram, ali a ordem e a legalidade. A Câmara reintegrou no cargo de Prefeito de onde fora alijado por manobra política desonesta, o Sr. Antonio Aldo Arrais, e o vice José Simões, que renunciou sob coação.
TELEGRAMA. No propósito de salvaguardar este clima de tranqüilidade, e reconhecendo haver sido plenamente reparado o ato de injustiça cometido por uma Câmara espúria de vereadores, composta de suplentes levados a ocupar o cargo por manobras do mais baixo sentido político, o Sr. Antonio Aldo Arrais decidiu renunciar em favor do vice-prefeito José Simões, enviando a Câmara telegrama de renúncia no seguinte teor: "Tomando conhecimento oficial de que essa douta Câmara de Vereadores, através da unanimidade de seus membros titulares e num imperativo da Justiça já me reintegrou no cargo de Prefeito Constitucional do Município de Alenquer, reconhecendo os meus direitos vilmente esbulhados por uma Câmara de suplentes ilegalmente compostas e que tomou a deliberação de cassar o meu mandato mediante coação da Força Policial do Estado. Considerando que nada ficou provado contra a minha pessoa e que todas as acusações contra mim foram totalmente desmentidas e pulverizadas, agradecendo penhoradamente a lealdade e o irrestrito apoio dos prezados companheiros que ficaram ao meu lado mesmo nas horas mais incertas e difíceis, agradeço também sensilibilizado e emocionado de comovente solidariedade e carinho da grande maioria do povo alenquerense, considerando a hora excepcional que atravessa a nossa Pátria querida respeitosamente apresento a Vossas Excelências, senhores vereadores minha renúncia em caráter irrevogável ao cargo de Prefeito Constitucional de Alenquer. Se minha renúncia nesta hora crucial da vida de nosso povo possa concorrer para que volte a reinar paz e tranqüilidade nos lares ximangos, ficarei plenamente recompensado por este sacrifício e peço a Deus não seja em vão. Um dia voltarei, sem ódios, sem rancores e sem vinganças, para tentar fazer de novo, de minha querida terra natal um poema de amor, justiça, felicidade e progresso. Deus ilumine Vossas Excelências para que possam escolher com acerto e sabedoria o meu substituto e que este seja digno do momento histórico em que vivemos. Antonio Aldo Arrais, Prefeito Municipal de Alenquer”.
A segunda parte desta reportagem postarei em seguida, atendendo ao pedido de meu filho Gabriel que pede para que eu me adapte a linguagem da internet, como se isso fosse possível. Neste escrito de minha homenagem vai para a minha saudosa professora de datilografia, da escola Rui Barbosa, onde tive a honra de me diplomar em 1970, Marianinha Barbosa de Assunção.
Tenham todos um bom final de semana e fiquem com Deus. Parabéns ao meu querido irmão José Omar Lopes Arrais que hoje completa 49 anos, mas com carinha de 30... Felicidades, mano.
Aldo Aníbal Lopes Arrais – 05 de março de 2010.
Cine Teatro... Ideal
Ir ao cinema talvez seja um dos meus maiores deleites mentais, além da atmosfera mágica da sala "penumbrada", existe também aquela coisa meio ritualística, da espera pelo inicio do filme, uma leve ansiedade que faz parte deste encanto chamado cinema. Tive a sorte de ser de uma geração que viu o cinema primeiro que a TV, em Alenquer, onde vivi até o inicio dos anos 70 e a televisão só chegou depois que eu sai, iniciei minha carreira de cinéfilo, que cultivo até hoje.
Ali no Cinema do "Zé Hage", grande empreendedor da época, final dos anos 60 e inicio dos 70, eu freqüentava todas as sessões do cine Ideal, antenado com as novidades anunciadas pelo serviço de auto-falante, na voz poderosa do talentoso Raimundo Santos, meu gosto pelo cinema começou ali, onde me encantei com os grandes clássicos: Os dez Mandamentos, Ben- Hur, Dr. Jivago e os maravilhosos Westerns, entre tantos outros, era o meu cinema Paraíso particular, sorte de quem passou por isso. Não conheço a história da fundação do Cine Ideal, como dublê de historiador não tenho vergonha de confessar esta falha, mas lembro de ali ter visto não só filmes, mas espetáculos de música com artistas " de fora" e com artistas locais, teatro com a turma da Sofia Yared, João Ferreira e muitos outros, sem dúvida o cine teatro Ideal foi fundamental para despertar meu gosto pelas artes cênicas (e musicais).
Com a chegada da televisão em Alenquer, acho que em 1975 ou 1976, não tenho certeza, O templo sagrado dos espetáculos não resistiu , assim como milhares de outros em todo o Brasil, o fenômeno de pulverização das casas do gênero em quase todas as cidades médias e pequenas , foi arrasador, só tendo sobrevivido as casas de exibição nas grandes cidades e atreladas ao consumismo dos shoppings.
Lembrar das sessões no Cine Ideal, é lembrar do meu pai, com o cigarro na mão, nesta época ele ainda fumava , quando falei para meu filho Gabriel que nesta época as pessoas fumavam no cinema ele riu , achando que eu estava de lorota, também é lembrar dos primeiros romances acobertados pelo "clima", pela "atmosfera" do lugar, é , saudade faz bem ao cérebro e a alma, e nem sempre ao coração.
Sem dúvida a TV trouxe muitas facilidades para as pessoas mas sepultou muita fantasia e poesia, o cinema de interior foi uma destas vitimas, e hoje já existe uma alegoria de saudade do tempo em que a família assistia TV na sala, todos juntos, ou seja dentro na nova estrutura de comportamento ainda havia uma sensação de "estar junto dos seus", que para tristeza de muitos a Internet expurgou de vez, agora prevalece o ato isolado da comunicação.
Ainda gosto da presença das pessoas ao meu redor, seja para ver um filme em casa ou para ver algo interessante na rede, hoje mesmo enquanto escrevia chamei meu filho Gabriel, que é intelectual a moda antiga, leitor, para opinar sobre minha escrita e ele foi categórico: "Longo demais, pai, hoje a linguagem da rede é sucinta, o senhor enche muita lingüiça...”
Vivendo e aprendendo! Eu que sempre quis ser apenas um razoável escrevinhador, corro o risco de não ser lido por escrever fora dos padrões da rede. Tudo bem vou tentar ser sucinto, mas acho que ainda não é hoje.
Assisti a um filme maravilhoso, " Mente que mente", tradução truncada de " The Great Buck Howard", este filme me levou de volta ao cine teatro Ideal, e ali me vi comendo bolo do "Zé Lemos" e tomando refresco no intervalo de mais uma sessão, citei o Zé Lemos pois vi uma nota do Dodó no site Alenqueremos, um grande abração Dodó Lemos, estou sabendo de seu sucesso na música Gospel, parabéns!
Meu escrito de hoje vai para Sofia Yared, João Ferreira, Miguelzinho, Marcilio e Violeta Barile, nomes que me vieram à memória no momento desta escritação.
Agora me recolho, igual jabuti, para meditar sobre o que é ser sucinto. Fiquem com Deus..
Aldo Aníbal Lopes Arrais – 24 de Fevereiro de 2010.
Lamentável a situação vivida por brasileiros que vivem nas áreas atingidas pelas chuvas, foi com tristeza que hoje ao abrir a revista mais lida do Brasil (Veja , mais de hum milhão de exemplares) deparei-me com fotos da desgraça que se tornou a chuva , no jornal folha de São Paulo também estão estampadas imagens da destruição.
É nestes momentos que me lembro do Prof. José Maria, no curso de direito ambiental, ele sempre repetia seu discurso meio "apocalíptico".." se o homem não parar, será parado, a natureza tem como se livrar da raça humana, com uma simples sacudidela", e lá se vão quase uma década e de lá prá cá , infelizmente a "visão" do professor me parece cada dia mais perto do real..
O que podemos fazer? nós mesmos cidadãos comuns, quase nada, os governos também não podem fazer muita coisa, isso vem de longe, transformações ambientais que se perdem no curso da historia, é o preço da civilização, do progresso e do domínio (será?) do homem sobre o meio ambiente.
As causas destas tragédias estão por demais evidentes, mas não quero aqui me deter sobre elas, mas sim sobre o que pode advir de bom com relação ao nosso comportamento diante de tais fatos o que temos visto é o ressurgimento de uma melhores coisas do ser humano, a solidariedade, que andava um pouco fora de moda, devido o advento destes novos tempos de consumismo, individualismo e culto ao corpo, os valores éticos-morais e até espirituais andavam meio esquecidos, estas tragédias servem prá nos mostrar que somos mais do que indivíduos em busca de fama, dinheiro, poder, beleza e ideais consumistas, pois diante da morte estas coisas deixam de fazer sentido.
Talvez seja esta a lição que devemos aprender, fazer nosso dever de casa, e isso a partir de nossa casa, de nosso dia a dia, construir um futuro que nossos filhos e netos não se envergonhem, muitos almejam na terra o paraíso, mas sequer dão conta de limpar o quintal de suas casas, já há aqueles que se posicionam como "juízes do mundo" e, no entanto não conseguem sequer entender o que se passa com o próximo. O crescimento de religiões e seitas malucas nos anos 90 não respondeu a necessidade espiritual do homem moderno, a crescente e vertiginosa ascensão dos livros de auto ajuda é uma prova disso, por falar em auto-ajuda, li um excelente “O Monge e o Executivo" muito bom mesmo, embora ao invés de auto ajuda eu prefira mesmo é a ajuda do alto, aquela que vem de Deus. Além das tragédias externas do planeta outro assunto que a revista Veja destaca é a depressão, já tivemos oportunidade de aqui mesmo falar algo sobre esta doença, que é a doença do milênio e mata mais do que mordida de cobra. Embora a ciência médica não fale, mas ela é uma doença espiritual e nos evangelhos ela já é descrita, o apóstolo Pedro foi acometido de "depressão", se sentiu um nada, um fracassado, fraco, covarde, enfim todos aqueles sentimentos negativos que ela traz, mas foi curada pela palavra, que é o cristo vivo, este sim cura qualquer doença do espírito, as do corpo deixemos os médicos fazerem seu trabalho.
Ao falar de depressão e do evangelho e de Pedro, não desejo causar polêmica nem despertar a ira de nenhum doutor das leis (sagradas escrituras) mas o que afirmo está lá, basta ler, Pedro estava mal depois que negou por três vezes seu mestre Rabi (Cristo) largou tudo e voltou a pescar, homem rude, avesso aos discursos, sentia-se um trapo, mas depois que Cristo o curou, na sua primeira pregação se converteram 3 mil pessoas na segunda 5 mil.
Portanto a cura para este mal, também é espiritual, a religião é uma necessidade do espírito, como já dito, bem praticado, de acordo com a doutrina do evangelho, ela faz a diferença, e por certo pode levar o homem a um entendimento das escrituras e de qual é a vontade de Deus.
Este assunto me lembra a máxima marxista de que o homem não precisa de religião, talvez o maior erro do marxismo, pois a religião é um elo com a espiritualidade, ela só em si não resolve, mas quando envolta em espiritualidade, boa vontade e firmeza de caráter, dá excelentes resultados, o homem não vive sem a espiritualidade, e a prova disso foi a primeira missa após a queda do muro de Berlim e do mito do comunismo, lá na praça vermelha, mais de um milhão de pessoas presentes.
Acredito que a lição das tragédias é esta, solidariedade, não só nas grandes tragédias, mas no dia a dia, no transito, em casa, na escola, no trabalho, com os amigos com a família, enfim, um pouco de solidariedade faz um bem enorme.
Já que falo de família, em nome de minha família, quero agradecer ao Dr. Ismaelino Valente, pelo seu trabalho literário no tocante a figura de meu pai, já o fiz de forma particular ( o agradecimento) e agora o faço de forma pública, o escrito fala por sí, esperamos com certa ansiedade por esta publicação, que por certo é um marco na literatura, em especial de nossa querida Alenquer, valeu Dr. Ismaelino.
O escrito de hoje vai para duas pessoas maravilhosas que dedicaram suas vidas a educação e a cultura em Alenquer, e posso dizer que tive o privilégio de ser aluno das duas, Ilka Cabral e Caricia Valinotto, fica aqui meu registro...
Uma boa e solidária semana para todos nós, fiquem com Deus...
Postado por Aldo Aníbal Lopes Arrais – 07 de fevereiro de 2010
* Três mulhres e alguns homens...
Minha filha Carol parece que sente minha falta no domingo, este dia que é dedicado aos que gostam de ficar em casa, dormindo ou mesmo na preguiça, nada de TV, não tem nada que preste, nada mesmo, então porque não ler alguma coisa? Jornais, revistas, bula de remédio? Não, nada disso, vamos ler duas mulheres e dois homens-poetas.
Num rápido giro (isto é linguagem jurídica, clichê de petições e sentenças) pela biblioteca, percebo que tenho pouca coisa escrita por mulheres (poesia), ou elas não estão escrevendo, ou os editores não estão publicando ou eu estou precisando ir lá na livraria Jinkings meter um fiadão. Que não seja por isto, vamos ler um poema de Cora Coralina, as más línguas, sempre invejosas, dizem que só tem ela no Goiás, e precisa mais?
Então prá transformar meu domingo em Goiás, já que vivo no "quadradinho" deste maravilhoso e rico Estado, já que sou comedor de pequi, "gueroba" e outras pamonhas mais, vamos abrir o domingo com este poema que é um hino á terra. Extraído do livro "Poemas dos becos de Goiás e Estórias mais" Ed.Global 14a. Edição 1987.
"O Cântico da Terra - Hino do lavrador
Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro o primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o futuro e vem a flor.
Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que prende se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranquila ao teu esforço.
Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.
Eu sou a grande Mãe universal.
Tua filha, tua noiva e desposada,
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.
A ti, ò lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.
E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranqüilo dormirás.
Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho,
do gado e da tulha.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos."
Ser um Ximango no Goiás é muito gratificante, nós da Amazônia sabemos apreciar como ninguém as maravilhas desta terra, terra de Cora, embora já se tenha rasgado muita seda para esta poetisa eu não me canso de lê-la, e de Goiás vamos para Minas, que é coladinha aqui, saiu do "quadradinho" já estamos em Minas..
É de Minas que vem a única mulher inserida no "Grandes Sonetos de Nossa Língua", seleção de José Lino Grunewald, edição de 1987, da Nova Fronteira..Não sei o que houve na escolhas destes sonetos, mas apenas uma mulher!! Não importa, uma é suficiente, desde que seja Cecília Meireles, assim como Anna Gorienko, lá na Rússia vale por dezenas de poetas, aqui no Brasil, Cecília vale por cem, sem exagero.
Falar de Cecília é arar o chão de Minas-Goiás para plantar milho e depois convidar os amigos para comer pamonha, é sempre bom, mas bom mesmo é saber que esta mineira está cada dia mais atual, poesia mesmo nunca envelhece o que passa é o modismo e as invencionices tolas da linguagem já aquela que nos atinge como um torpedo, esta fica e se crava em nossas memórias e corações, não é D. Cecília?
"A CHUVA CHOVE....
A chuva chove mansamente..como um sono
Que tranqüilize, pacifique, resserene...
A chuva chove mansamente..Que abandono!
A chuva é a música de um poema de Verlaine...
E vem-me o sonho de uma véspera solene,
Em certo paço, já sem data e já sem dono...
Véspera triste como a noite, que envenene
A alma, evocando coisas líricas de outono..
...Num velho paço, muito longe, em terra estranha,
Com muita névoa pelos ombros da montanha...
Paço de imensos corredores espectrais,
Onde murmurem, velhos órgãos, árias mortas,
Enquanto o vento, estrepitando pelas portas,
Revira in-fólios, cancioneiros e missais..."
A leitura de Cecília exige pouco do leitor, apenas sensibilidade, e isto quase todos nós temos, se bem que neste turbilhão de divagações e viagens pelas letras, o que podemos mesmo acrescentar em nossas vidas é esta quietude que nos traz o pensar poético, certa vez me perguntaram em uma aula de historia, que eu misturava com poesia, para que serve a poesia? Esta foi a pergunta literal de um aluno, sem querer me agredir, apenas por curiosidade, minha resposta também foi direta, eu respondi que a verdadeira poesia, serve para "aquietar a mente e confortar o coração", além do que é a linguagem de Deus..e ai ele me perguntou: Como discernir a boa poesia da má poesia?
Respondi, com grande alegria, ora se depois de lê-la você não sentir a quietude na mente nem coração confortado, então... Sabemos que poesia é mais do que isto, muito mais, mas isto já é um bom começo.
Mas não podemos fechar o domingo, sem a presença de poetas-homens, embora o mundo seja feminino (e não é?) nossa participação deve ser levada em conta... Escolhi dois, dois nomes conhecidíssimos dos "iniciados" neste ofício de ler poesia, mas talvez desconhecidos da imensa maioria... Extraídos da mesma seleção acima citada, um é Mario Faustino,( piauiense que morou no Pará, ou é Paraense que morou no Piauí?) O que importa é que Mário Faustino vai nos brindar neste domingo .
"SONETO
Bronze e brasa na treva: diamantes
pingam
(vibram)
lapidam-se
(laceram)
luz sólida sol rijo ressonantes
nas arestas acesas: não vos deram
calhaus
(calhaus arfantes),
outro leito
corrente onde roçar-vos e suaves
vossas faces tornardes vosso peito
conformar
(como sino)
como de aves
em brado rebentando em cachoeira
dois amantes precipites brilhando:
tições em selvoscura: salto!
Beira
de sudário ensopado abismo armando
amo r
amo r
amor a
morte
ramo
de ouro fruta amargosa bala!
E gamo."
Faustino além de genial nos leva a refletir sobre a nossa passageira condição humana e por certo contribui com o que chamamos de "pensar o tempo" como se ele fosse eterno, e não é? O outro poeta deste domingo é um mistério para muitos, baiano, embora com um nome estrangeiro este é o que os poetas chamam de "dono das letras", realmente Pedro Kilkerry tem muito a nos dizer e nós temos muito que com ele aprender, então não vamos mais perder tempo com lengalenga.
"CETÁCEO
Fuma. É o cobre o zenite. E chagosos do flanco.
Fuga e pó, são corcéis de anca na atropelada;
e tesos no horizonte, na muda cavalgada.
Coalha bebendo o azul um longo vôo branco.
Quando e quando esbaga ao longe uma enfiada
De barcos em betume indo as proas de arranco.
Perto uma janga embala um marujo no banco
Branindo ao sol brunido a pele atijolada.
Tine em cobre o zênite e o vento arqueja o oceano
Longo enforca-se a vez e vez arrufa,
Como se a asa que o roce ao côncavo de um pano.
E na verdade ironia, ondulosa de espelho
Úmida raiva iriando a pedraria. Bufa
o cetáceo a escorrer d'água ou do sol vermelho".
Certa vez, lá em Santarém por volta de 1979, durante um festival de Música, tive o prazer de ser convidado e compartilhar da companhia do poeta Rui Barata, amigo de farras e poesia, várias pessoas vinham lhe trazer poemas para ele "dar uma olhada" e queriam sua opinião, ele ainda sóbrio era bastante atencioso e sempre tinha um bom comentário a respeito do que lhe era dado para ler, mas depois de algum tempo já "cheio do mé", ele se virou e me disse : " Arrais, estou com dor de barriga, de tanta porcaria que já li hoje". Assim era o Rui, exigente com o que lia, porém generoso quando gostava, gostar de ler poesia é uma questão de bom gosto e isto deve ser sempre levado em conta na hora e escolher o que vai se ler. Estas indicações de hoje , todas valem a pena, aos que não são aficcionados, recomendo, busquem mais e terão um agradável retorno.
Pois é, Carol, hoje é aniversário da Isabela Arrais, minha sobrinha filha da Ligia e do Parise, festão a base de comida árabe, Parabéns Isabela, para quem não sabe minha sobrinha é estudante de teatro na UNB, e excelente atriz, logo estaremos assistindo Isabela na Globo,não duvidem ela é "pequena"mas tem talento e garra, logo, logo, chega lá. Beijos Isabela...
Este escrito de hoje vai para uma família Ximanga, afinal mesmo escrevendo do Goiás (Brasília é o quadradinho de Goiás), não esqueço minha alma Ximanga, bom a memória de hoje vai para a família Iwasaka, e em especial para a minha saudosa amiga Sueli, que adorava poesia e lembro que ficávamos horas na leitura e conversando sobre os Iwasaka, só posso dizer que são pessoas maravilhosas, parte do contingente ético-moral de nossa comunidade Ximanga..E por falar no seu Iwasaka, lembro que certa vez perguntaram porque ele não "rebocava" sua casa, que embora fosse super confortável e moderna por dentro, por fora não tinha reboco de cimento, era o tijolo aparente, ele respondeu com uma simplicidade e inteligência que o caracteriza..Ele respondeu : " Iwasaka, mora dentro, né!", tive a felicidade de conviver com esta família e guardo sempre boas recordações.
Um bom domingo para todos, fiquem com Deus.
Aldo Aníbal Lopes Arrais, em 31 de janeiro de 2010.
* Carmen Batista e Ariú Sorubá
Hoje passei a tarde no Campus da UNB, eu e meu assistente Fabrício Passarinho, fomos fazer uma filmagem para um documentário sobre os Cupinzeiros, parte de um projeto ambiental que pretende trazer uma nova perspectiva em termos de nutrientes orgânicos, pretendemos com isso trazer opções de renda para famílias carentes do DF e entorno. É um projeto social original, inovador e de comprovada eficácia,inicialmente planejado para atender necessidades de uma ONG indígena, o IACIB, dirigida pelo meu amigo David Terena, ganhou logo novas aplicações, espero em breve vê-lo implantado em muitos lugares.
Embora viva em Brasília, há tempos retomei meus contatos com minha terra natal, Alenquer e agora que assumi o compromisso de me reportar mais a minha terra e a imensa comunidade que acessa o site alenqueremos, voltei da UNB pensando em minha tia-avó Carmen Batista. Encontrei um livro seu de 1965 sob o título "Flores de Sonhos-Trovas", Carmen Batista é pouco conhecida no Pará, embora tenha pertencido a Academia Brasileira de Trovas, e ter tido a honra de ver seu trabalho reconhecido no Rio de Janeiro onde viveu.
Este exemplar, dedicado ao meu pai, onde ela carinhosamente se dirige a ele como "inteligente trovador", nós dá a dimensão da importância das letras na família Batista, uma mulher escritora num tempo em que poucas mulheres se arriscavam a ir além das "barreiras" do lar, Carmen Batista merece que a leiamos, mesmo porque ela é uma referencia que podemos usar e nos orgulhar. É a chama Ximanga, que o tempo não apagou e que agora vamos reavivar, dela vou transcrever algumas trovas, e prometo em breve colocar o livro na integra, vou conversar com o Roberto Mesquita para equacionarmos a divulgação do trabalho desta poetisa ximanga.
Aproveito para pedir aos Batistas, quem tiver material dela que procure o Roberto para que possamos divulgar, acredito que muitos Batistas podem ter outros livros dela. Já me dirigi a Academia Brasileira de Trovas, pedindo que me forneçam mais informações a respeito de seu trabalho, para poder repassar aos ximangos.
Meu pai, só se assumiu como trovador depois dos 40 anos, embora já escrevesse (trova)desde cedo e por certo por influencia dela, já que ela o mencionou como o trovador em 1965, não encontrei muita coisa dele desta época em trovas. A trova hoje é um gênero da literatura (poesia) pouco utilizada, embora seja um dos gêneros mais fortes, complexos ( e difíceis) talvez por isso mesmo hoje tão raro, confundida com poesia popular de rimas fáceis ou até mesmo com o cordel, a trova sobrevive no Brasil a duras penas, tem na figura de Eno Teodoro Wenke, um dos seus ícones, além de outros da União Brasileira de Trovadores, da qual meu pai fazia parte.
Já tentei escrever trovas e nunca consegui, mesmo porque ela exige despojamento e invejável conhecimento gramatical e literário (eu não vivo sem os revisores), portanto eu tenho um respeito reverencial pelos trovadores, independentemente do seu grau de conhecimento.
Certa vez eu conversava com o poeta Antonio Roberval Miketen, um grande expoente da Literatura Brasileira e Portuguesa, que já foi professor de Literatura na Universidade de Coimbra e também parceiro literário de ninguém nada menos que Jose Saramago , ele demonstrou seu deslumbramento com a literatura de meu tio-primo Benedicto Monteiro e com as trovas de meu pai, ele se interessou pela literatura do Pará a partir destes dois e comentou comigo que desejava conhecer Alenquer, "terra dos Poetas" como ele mesmo batizou nossa "Princesa do Sururbiú". E neste encanto foi que ele escreveu um de seus melhores livros, "A Saliva do Verde", ambientado num lugar fictício que ele dizia ser Alenquer, MIketen se foi, sem conhecer nossa terra, mas ficou na minha memória o que ele me disse. Acho que às vezes nós Ximangos não damos o valor que nossos escribas merecem, talvez mesmo até por não os conhecermos profundamente, não falo do Bené nem de meu Pai que já são farinha de piracui, todo Ximango conhece, mas sim de dezenas de outros que cabe a nós resgatar. Então vamos lá.
“Nasce comigo a saudade
E vez meus dias tristonhos...
Mas Deus por felicidade
Deu-me estas FLÔRES DE SONHOS! “
Faço trovas pequeninas
De “Não te esqueças de mim”,
De rosas, cravos, boninas,
E de “saudades” sem fim.
E, pela vida componho
Um buquê de tantas flores,
Todas perfumam meus sonhos
E lembram velhos amores.
Entre o perfume da rosa
E a tristeza da saudade
Haverá flor mais formosa
Do que a flor da mocidade?
No mundo há tanta beleza...
No céu... Nos campos... Nas flores...
Deus fez rica a natureza,
E vida cheia de amores!
Teus perfumes de jasmim,
Beleza e graça da rosa,
Quando estás perto de mim,
Serena, leve, graciosa!
Meu destino porventura,
É semelhante ao da flor:
Nós campos, ser bela e pura,
Nas salas, sem vida e cor!
Amo as noites de luar,
- Fonte viva de saudade –
Minha Mãe, vejo a rezar,
No templo da eternidade!
Mina Mãe!... Quanta saudade
Daqueles dias de paz!...
O tempo sem piedade,
Avança, não volta atrás!...”
Talvez vivamos num tempo em que a poesia se resuma a exercicios mirabolantes de linguagem e experimentalismo, longe, bem longe deste lirismo puro, dócil e que tanto necessitamos em nossas vidas corridas e apressadas pela "modernidade" dos tempos... Precisamos todos deste lirismo, é uma maneira de tornar os dias tão "corridos" em lembranças mais doces e suaves.
Encerro com uma poesia, mistura de versos livres e trovas de Ariú Sorubá, talvez suas primeiras incursões neste difícil gênero literário, este poema ele escreveu no dia 14/10/1947, ainda estudante do Colégio do Carmo, para homenagear D. Hilma Batista, sua mãe...
“Mamãe!
À minha queridíssima mãe, de todo meu coração e com todos os afetos de minh’alma, ofereço reconhecimento.
Ariu Sorubá
Um anjo maravilhoso e protetor
Toda bondade, paz e amor também...
Guiou na vida meus incertos passos
Esse anjo és tu, ó minha boa mãe!!
Mãe querida
De grão-valor
És minha vida
És meu amor!
Muito te amo
Muito de adoro
Só por ti clamo
Só por ti choro.
És bela, és linda
És diviva!
Tu és ainda
Meu ideal!
Fada querida
Luz e penhor
Da minha vida
Do meu amor!
Guardo contigo
Esta oração
No peito amigo
No coração!
Deus te proteja
Anjo do bem
Contigo esteja
A paz: “Amém”.
Dedico a escritação de hoje aos Batistas, todos eles, representados na figura de meu querido primo Luis Batista, por quem tenho profundo afeto, esta vai para você Luis, e para toda a sua família, um abraço do primo. Aldo.
fiquem com Deus...
27 de janeiro de 2010.
* Reminiscências da infância (24/01/2010)
O ato de olhar antigas fotografias reflete muito mais do que imaginamos, ele traz a tona velhas e inesquecíveis lembranças, gosto muito de olhar fotos antigas, para a ciência este ato, o de olhar o passado serve como "combustível" para se analisar o presente e projetar o futuro. Explico, nós, seres humanos, temos uma grande facilidade de esquecer os momentos felizes e muitas vezes sequer mencioná-los, e uma fantástica capacidade de "relembrar" coisas ruins, talvez pelas marcas que deixam os fatos não tão agradáveis da vida. Fazer um exercício do que foi bom ou ruim, leva a extenuante tarefa de classificar os atos em si, uma festa que foi marcante em nossa vidas, pode ser casamento batizado, formatura só lembrou quando olhamos as fotos, mas aquela festa em que você bebeu demais , deu vexame ou passou mal, lembra fácil, ou aquele evento em que conheceu uma pessoa importante na sua vida, qual foi mesmo o evento? Muitos nem se lembram onde conheceram sua esposa ou marido, mas o dia em que levou um fora, ah... Este não se esquece. Somos assim mesmo é a nossa natureza, e é um dever de todos nós, lutarmos contra este desleixo da mente, devemos sim lembrar todos os fatos ocorridos em nossa vida, e dele tirarmos lições que podemos passar para nossos filhos e netos ou para nós mesmos. Hoje lendo a Veja, que já deveria ter parado de ler, mas é um vicio de mais de 20 anos, me deparo com a capa sobre o Haiti, fotos de desgraças, compramos a desgraça do Haiti, mandamos nossos "pracinhas" gastamos nosso suado dinheirinho e ainda posamos de pacificadores do Haiti, só não seguramos a barra do terremoto e ainda tivemos que enterrar nossos mortos.Nada contra o Brasil ajudar outros Países não se trata disso, mas sim de uma extrema hipocrisia de Estado, um Pais que sequer consegue expulsar os mendigos que ficam a 500 metros do palácio do rei lula, quer ser "consertador" de outros países.
As fotos são chocantes, mas para ver desgraça não precisamos ir ao Haiti, aqui mesmo na capital federal basta dar uma volta pelas satélites, pela rodoviária e pelos pontos de mendigos, aqui mesmo do lado de minha casa, em frente ao Pão de Açúcar nos temos um ponto "haitiano" miséria e riqueza se juntam nesta festa de hipocrisia que é a parte “ilha da fantasia” de Brasília.
É verdade temos um enorme contingente de funcionários públicos, outro contingente de terceirizados e outro tanto de gente que vive nas tetas do erário público, isso não é culpa do Brasiliense, que na sua grande maioria, trabalha e muito, e não vive de salários de duvidosos trabalhos em duvidosas funções, que me perdoem os que realmente trabalham de verdade, neste setor, que são muitos, mas que perto da imensa maioria,que não trabalha, são poucos, bem poucos. Ainda bem que tenho antigas fotos para olhar e posso lembrar de minha infância ultra feliz lá em Alenquer, e revendo fotos antigas no site alenqueremos, tive a certeza de que possuo um tesouro na memória e que preservar este tesouro faz parte de minha missão como ser humano,é bom relembrar coisas boas do passado, principalmente se estas lembranças lhe alegram o coração, a minha memória de hoje vai para o bairro da Luanda,no Brasil, no Pará em Alenquer, não a Luanda africana.
Era lá pelos idos de 1965, 1966 eu pescava com meu primo Sérgio "Theco" de dentro de casa, isso mesmo, da casa de minha tia Lolita, que no inverno fica "debaixo d'água", mas que sempre fica firme e forte, que nem minha tia que com mais de 80 anos está firme e forte, se bem que este ano, aliás, o ano que passou a enchente, a maior da história fez com que minha tia se ausentasse por uns tempos de sua casa n'água, mas já voltou e está tudo bem, logo quem sabe eu estarei por lá, pescando da cozinha, vou combinar com o “Theco”, nunca é tarde para se fazer o que gostamos..., alguém ai já pescou direto de dentro de casa? Não? Experimentem.
Meu recado de hoje é para minha amiga do coração Dra. Sandra Gomes da Costa e seu marido, lá na distante aldeia portuguesa, onde estão aguardando a chegada do "brazuquinha" Alexandre, parabéns pelo menino e que Deus esteja sempre com vocês..quem sabe antes da pescaria eu não dê um pulo ai para ver meu sobrinho? vou conversar com a Dilma, quem sabe...?
Bom gente, agora vou me recolher, pois tenho uma caixa de fotos para olhar e por certo ter boas recordações
Também me lembro em tempo de mandar um abraço para minha sobrinha JULIA LEAL LIRA que se formou em Enfermagem, lá em salvador e pelo que sei fez uma festa do arromba na sexta-feira, não deu prá ir Júlia, mas daqui vai meus parabéns, sucesso na nova e muito honrada profissão...
Um bom domingo e fiquem com Deus, que tenhamos todos uma boa semana e com boas lembranças na mente.
Postado por Aldo Aníbal Lopes Arrais
* Só para ximangos – Viu Ismaelino (12/01/2010)
Dos meus seis filhos, 03 homens e três mulheres, só dois conhecem Alenquer, A Carolina, que morou lá quando era pequena (continua baixinha) e o Antonio Neto (Toni) que também morou lá durante um tempo, o restante deles, Gabriel, Thaiza, Rafael e Luiza, não conhecem a "Princesa do Surubíu", até pouco dias atrás sequer sabiam o que é um ximango.
Claro que a culpa é minha, sou um alenquerense relapso, e devia ter ensinado meus filhos a honrar e respeitar a historia de nosso torrão natal, mesmo porque fazemos parte desta história, mas como tudo tem jeito nesta vida, acredito que agora eles terão "aulas" intensivas sobre Alenquer, e em breve levarei os quatro "estrangeiros" para conhecer a nossa terra.
Eles mostraram interesse e já vasculharam a rede em busca de informações e surpresos descobriram muita coisa sobre a Alenquer, e hoje quando ia começar a escrever sobre o Poeta Thiago de Mello, resolvi mudar o tema e escrever um pouco sobre a minha terra, embora de meus 50 anos eu só tenha vivido 14 em Alenquer. Muitas vezes já me questionei o porquê de nunca ter voltado, talvez por sempre ter sonhado com minha cidade e nunca tê-la esquecido. Alenquer para mim é como um amor antigo, longe , mas que jamais se esquece. Hoje estava "separando", algumas fotos e documentos que vou mandar para os "preservadores" da cultura alenquerense, Roberto da Cruz Mesquita e Ismaelino Valente, e como meu pai guardava todas as "Revistas Programas" da festa de Santo Antonio, casualmente folheei uma de 1994 e tinha um artigo do saudoso Jose Rafael Valente, me lembrei que o Guido Cordeiro lhe chamava de "Baluarte das Grandes Vitórias", tinha razão o Guido , Zé Valente foi uma das maiores expressões políticas de nossa cidade, e cabe a nós Ximangos relapsos ou não manter viva a nossa memória a tradição e repassar aos nossos descendentes o orgulho que temos de nossa História Ximango.
Refiro-me aos Valente, pois meu pai, independente da questão política (que hoje é história) tinha profundo respeito e admiração por eles em especial pelo Ismaelino e fiquei muito feliz de saber que ele "incluiu" meu velho no rol dos Ilustres Ximangos, minha família agradece a honraria, combinei com o Roberto de lhe enviar o material que tenho sobre nossa cidade para que ele possa divulgar na página ALENQUEREMOS, acredito assim estar contribuindo um pouco e ajudando neste trabalho de manter acesa a chama Ximanga, também não esqueci da promessa que fiz ao "Palitete" e vou lhe enviar as fotos,.aguarde Palitete.
Alenquer tem muita coisa para se falar, poderia ficar aqui por incontáveis horas proseando sobre a "Princesa", e pretendo me voltar mais para este tema, Alenquer é uma fonte inesgotável de poesia, história e de muita saudade.
Postado por Aldo Aníbal Lopes Arrais.
Fonte (foto): Aldo.
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