...O site alenqueremos informa: previsão é que enterro aconteça no domingo // Políticos começam a romaria ao Recife // País vive momento de incerteza na política e na economia...

     

 

 

 

 

 

PARCERIAS

Jornal Surubiú 
Uruatapera         

Eliezer Martins
Osvaldo Simões - Poeta 
www.omarambire.com.br

   

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte (foto): Rubens Athias

 

 

 

 

________________

Acari, o peixe predileto dos

            (chi) ximangos

 

 

   (93) 9141-2371 / 9128-9424

 

 

 

 

 

 

  Coluna de Aldo Arrais  

                ___________A Coluna do Aldo__________

ALDO ANIBAL LOPES ARRAIS. alenquerense radicado em Brasília (DF), filho de Antonio Aldo Arrais Batista Torres de Castro. É advogado, historiador e ambientalista.

         

ARIÚ, TREZE ANOS DE SUDADE   

 

27 de junho é muito significativo para nós, filhos do Poeta Ximango, Ariú Sorubá morto e enterrado em Brasília, por vontade da família, que decidiu, pelo voto, contrariar seu desejo de ser enterrado em Alenquer. Depois de morto, para ele esta questão de deixou de ser importante, agora é cuidar do espírito, tratar de viver a eternidade, de preferência junto de Deus, e longe do diabo... Cruz credo!!
Meu pai escrevia com fôlego, sua máquina datilografando na madrugada fazia com côro com os sapos da Loanda e do Aningal, juntos, martelavam a lua e o rio Surubiú, com sua "matraquinagem" constante, era incansável no oficio da escrita, escrevia sobre tudo que lhe estava ao alcance, ele era um cronista atento, tinha múltiplos interesses literários, e falava sobre o que via, e sempre de um jeito muito peculiar, ele se fazia entender pelo povo simples, avesso e sem acesso as letras. Eu afirmo que ele ajudou muita gente a ter acesso ao mundo da literatura eu mesmo fui um destes "passageiros" em sua imaginária viagem pela vida e pela eternidade, sem dúvida meu pai era um sonhador! destes que não existem mais....Talvez por isso e por outras coisas mais, é que todos os seus filhos, parentes, amigos e fãs não o esquecem, não o esquecem e me senti incumbido de fazer uma homenagem para ele, nestes 13 anos de saudade , Ariú, teria hoje, se vivo fosse, 81 anos...
E fui buscar no passado a inspiração para isso, fui buscar no baú do tempo, um Poema do Ariú, datado de 1954.
“Ximangos & Candangos”, tenhamos todos uma sexta feira de muita paz, com o futebol pulsando na nossa seiva verde e amarela,tomara Deus que passemos pela Holanda.
O meu escrito de hoje, dedico a Bisneta do poeta, Isabela, a branca, que coincidentemente, faz aniversário no dia 27 de junho.Parabéns, Branca, Bela.

" Eu sou aquele homem
que perambula calado pelas ruas
devagar sem destino...
Noite cheia de sombras e estrelas
O homem calmo olha sempre para o chão
procurando inutilmente
passar da própria sombra
estendida na sua frente
como a mortalha dos sonhos destruidos...
O desespero chega. O homem corre
Numa peregrinação impertinente
atrás da própria sombra
que deslizando na sua frente vai.
O homem procura inultimente
passar da própria sombra
que na sua frente!!!
deslizando vai.
O homem tropeça numa pedra
do caminho
e cai.
Um turbilhão de sombras baralhando
no cérebro do homem.
A sombra dos navios amarelos
e dos arranha céus
parecem hipopótamos gigantes
a sombra da lua e das estrelas
a sombra da Desgraça
sempre invisível
mas presente, cruel inevitável,
morando em nosso peito".

 

  

 

 

 

 

Lendas e história popular em Alenquer

 

Meus filhos são todos grandes leitores, o que por certo é muito bom para todos nós, uma família que lê junto e muito, faz a diferença, mas nem sempre a leitura de muitos livros interessantes vai ser o suficiente para preencher o imenso vácuo que é o conhecimento na espécie humana, sempre cabe um pouquinho de informação por mais "cabeçudo" que o cidadão seja, neste caso eu releio um caderno de crônicas de meu saudoso pai, e ali encontro uma historia que tenho certeza que meus filhos não conhecem.
Publicada no Jornal (A Gazeta, de Santarém) em 22 de Julho de 1995, sob o título " O Mistério dos Afogados", provavelmente uma fábula urbana vindo do hábito secular de contar historias, que toda grande civilização humana preservou com tanto carinho, dando origem ao que chamamos hoje de literatura.
Este hábito de contar e preservar as historias, em muitos lugares é levado tão a sério que capacitam professores nesta área. Um grande exemplo de como manter esta arte viva, já que sem nossa historia, nada somos, nada mesmo.
A transcrição é sempre fiel ao original, o acréscimo de algum detalhe ou informação dissonante da história original, que provavelmente muitos conhecem e para meu pai alguém contou, fica por conta de um efeito literário, do tipo "quem conta um conto, aumenta um ponto" isto faz parte da técnica de "transformação" da oralidade em escrita, ai as vezes é bom o transpositor possuir algumas qualidades literárias relevantes, que neste caso, se comprovaram positivas. Um alerta ao leitor não-Ximango, quando o autor se refere ao Rio Surubiú como "estreito" ele tem como referencia o Rio Amazonas, do qual o Surubíu é um afluente, então se esse rio "estreito" fosse aqui no Goiás, o seria o maior rio destas bandas.

"Do ano de 1950, até os dias de hoje, 10 de junho de 1995, quando passei para o papel mais uma "Historia Ximanga", 82 pessoas morreram afogadas no riozinho estreito, barrento e traiçoeiro que passa em frente da cidade. Desde a data em que comecei a registrar estes estranhos afogamentos, na relação que preparei cuidadosamente, consta a morte de 19 homens de maior idade, - 12 mulheres adultas, 28 adolescentes, - 06 mocinhas e 17 crianças pequenas do sexo masculino. Os antigos contam que antes também, muitos outros seres humanos pereceram afogados neste trecho do rio, incluindo a filha caçula de um tuxua, de tribo de índios Abarés. Quase todas estas mortes acontecem sempre no mês de abril, maio e na primeira quinzena de junho, quando o volume das águas do Amazonas atinge o nível máximo,no pique das enchentes anuais.
- Qual o mistério terrível de tantas mortes nesse mesmo estirão do rio?
- O "que" de muito sobrenatural e fantástico esconde-se no fundo das águas tranqüilas do rio Surubiú, sem maresias, sem ondas sem corredeiras?
- Que perigosa fatídica maldição paira sobre esse riozinho estreito e sinuoso, ceifando muitas vidas e sempre no mesmo lugar?
- Exímios nadadores, verdadeiros peixes d'água, como aqui se diz na gíria do povão, destacando-se os casos do "Boto" - "Dominguinhos" - "Ferrado" - "Patinho"- "Zelão" - "Siricaia" e recentemente o jovem estudante Alison . Falecido nas águas do rio Surubiú, sem qualquer motivo ou explicação razoável. O tipo popular curioso conhecido por "Boto" membro da tradicional família Poeira do pé da serra, sonhou esse apelido por ser campeão da natação da cidade. Na época do verão, "Boto" atravessava o rio escuro em dois longos mergulhos, para alegria e espanto da garotada. Dizem que os botos tucuxis, levaram o corpo dele para um encante no perau mais fundo, no remanso da Pororoca. Mortes inexplicáveis, misteriosas, absurdas, como se para a morte houvesse qualquer tipo de explicação. Somente no dia da festa de Santo Antônio, padroeiro do Município, em anos diferentes, nove (09) pessoas sucumbiram no rio maldito. Os corpos de todos os afogados foram encontrados intactos sem qualquer arranhão ou ferimento. Apenas um sargento do exército chamado Gomes, que caiu da proa de uma embarcação, ancorada no porto da cidade, fardado e com uma metralhadora à tiracolo, no auge da repressão ao contrabando do café em grão e a filha do motorista Colote, que numa manhã de sol, desapareceu no Mandala, logo abaixo do Trapiche Municipal. Não foram resgatados.
Dizem que um puraquê gigantesco, que Amito Barile, Manoel Gregório e velho Diniz, quando pescavam juntos de linha comprida no trapichão, luar maravilho, meia-noite em ponto, viram nadando vagarosamente em cima d'água borbulhando, fazendo banzeiro e espantando as sardinhas e peixes miúdos naquele local. Poraquê negríssimo, lustroso, com pequeninas escamas florescentes no lombo, mais brilhantes que vagalumes solitários.
Quando o poraquesão esbarrou nos pilares de madeira de lei do trapiche toda a sua estrutura tremeu e os pescadores retardatários , sentiram um choque violento no corpo inteiro. Os índios Surubiús  que habitavam a região, já haviam repassado a informação oral afirmando que, a descarga elétrica de um poraquê, principalmente da espécie conhecida popularmente como "pretinho orelha de morcego" - na força da lua , permanece vibrando por mais de 36 horas, no corpo de qualquer pessoa, viva ou morta.
Já vi com meus olhos de Ximango curioso, no igapó da Ponta do Sol, um "pixundé pretinho", do tipo perigoso e traiçoeiro, esfregando-se num tronco dum socorozeiro carregado e todos os frutos maduros, centenas de socorós amarelinhos caírem n'água e serem engolidos pelo guloso peixe elétrico.
Assisti também numa passação de gado, no interior do Município, uma besta coberta, ao receber entre as pernas o choque violento dum poraquê, na travessia, cair relinchando e gemendo de dor. Derrubou o vaqueiro, bom de laço e bom de sela, que foi jogado à distância. A égua prenha e fogosa não morreu, mas abortou logo em seguida perdendo a cria de 11 meses que nasceu morta.
Chico Velho que montava a rosilha atingida pelo choque do terrível treme-treme, perdeu os sentidos, ficou todo roxo e certamente teria morrido se não fosse a tempo socorrido pelos outros vaqueiros. Um enorme poraquê assassino, certamente, é o grande responsável por tantos afogamentos no rio sereno que banha  a princesinha do       Surubiú. Talvez a presença desta fabulosa corrente de eletricidade, desconhecida e poderosa, permanecendo por tanto tempo mo corpo dos afogados, explique o fato surpreendente das piranhas e caparotas vorazes que infestam essa parte do rio, não devorá-los rapidamente, como acontece com qualquer outro animal morto e jogado n'água, que elas estraçalham em poucos segundos. Fatos verídicos que a ciência não sabe explicar, provando que nas profundezas deste riozinho tão calmo e tão bonito, existem mistérios impressionantes que ainda não foram estudados ou desvendados por nenhum pesquisador (para meus compadres Raimundinho Ivo, Maria avós de Alison). Sempre fui fã deste tipo de narrativas, o meu imaginário está repleto destas historias, Alenquer, e os Ximangos sabem disso é um "santuário vivo" deste tipo de cultura que a globalização e banalização da mídia, aos poucos, infelizmente, substituem, nas novas mentes.
Este escrito de hoje vai ficar em família, vai para minha irmã Alda Lúcia Lopes Arrais, xiita na sua causa de defesa dos animais, como deve ser, e para meu filho Antonio Aldo Neto que fez aniversário no dia 16 de maio, parabéns TONI.
Fiquem todos com Deus.

Postado por Aldo Aníbal Lopes Arrais, em 19/05/2010

          

          13 de maio, Rui Barbosa e a fogueira ximanga.

Ontem o Brasil assistiu passagem de mais uma data histórica com a indiferença de sempre, que já é a marca destes últimos tempos de anunciada e presumida democracia, exceto por manifestações "chapa branca" de movimentos sociais identificados com a questão racial, que no Brasil é mais antropológica, já que somos todos mestiços, nada que merecesse mais atenção.
Estas datas históricas estão se tornando apenas "datas alusivas" não existe mais o sentimento cívico em relação a elas, se é que existiu algum dia, no caso da abolição então nem se fala, também não há muito que falar, a não ser "fofocas históricas", não me lembro de ter lido nada a respeito que realmente comprovasse que a ordem de queimar tudo que referia a escravidão no Brasil, tenha mesmo partido do nosso queridíssimo Rui Barbosa, algumas vezes até me recusei a crer nesta afirmativa, mas eram tantas as evidencias que me calei.
Registros de chegada, registros de vendas, registros de todo o tipo foram queimados, tudo que se referisse ao período escravagista e que estava nas mãos da burocracia governamental foi para o fogo, virou cinzas, a pretexto de "apagar" da memória Brasileira este período de trevas, sabemos que não funciona assim, o que se destruiu mesmo foi a historia da jornada de uma raça de um continente a outro. E a princesa Isabel que levou o mérito de "libertar" os escravos, muito bem, ponto para a monarquia da época, que como também sabemos apenas cumpriu determinações que vieram de fora, ou seja, a Inglaterra mandou e o Brasil obedeceu, claro, senão obedecesse sofreria sanções comerciais, então agradeçamos a Inglaterra a abolição, sem tirar o mérito da princesa que assinou o papel.

Como não tenho procuração do Rui Barbosa, não vou defendê-lo, mas acredito que ele apenas tenha feito "vista grossa" para a inquisição da papelada em questão, grande Brasileiro que foi Rui não terá seu nome associado a este crime histórico, não da minha parte, mas há quem jure de pés juntos que foi ele, coisa de historiadores marxistas, sem dúvida.
Em conversa informal com Roberto Mesquita, falávamos sobre documentos antigos e ele me informou que em Alenquer ocorreram mudanças na administração clerical, e que nesta mudança os padres da nova ordem deram uma de Rui Barbosa e meteram fogo em muita papelada antiga, não sei o que estes padres queimaram, mas pelo que ouvi muita coisa de importante valor histórico virou cinzas. Uma pena, lamentável. Com a proximidade dos festejos de Santo Antonio, nosso padroeiro, cresce também o desejo de visitar o torrão natal, ainda bem que coisas boas estão acontecendo na vida cultural de Alenquer, soube que o Museu está mesmo acontecendo, e isto prova que o nosso povo não é indiferente as nossas tradições e a nossa historia, precisa apenas de um pouco de um de entusiasmo, coisa que sobra em alguns Ximangos, diga ai Potyguara?

Acredito que este Santo Antônio de 2010 será um marco na vida cultural Ximanga, Ismaelino Valente marcando presença com seu trabalho literário, trará por certo novas perspectivas neste campo para muita gente, Ximangos ou não, tenho certeza de que será um festão, daqueles inesquecíveis, tomara que seja.
Só espero que não tenha sido queimado nesta fogueira santa, meu Certificado de Batismo, espero que não, já que não possuo o original e sempre tive o desejo de ter uma segunda via... Faz tempo este batizado, e aqui vai um grande abraço para minha querida madrinha Dona "Mimi" um amor de pessoa.
Neste 13 de maio, parabéns a minha neta mais velha Gabriela, que no dia de maio fez 13 anos, linda como todas as netas do seu Aldo... Que Deus a ilumine sempre.
Meu escrito de hoje vai para longe, Manaus, para a amiga Auxiliadora, viúva do querido Fróes, e dizer que não me esqueci do livro que prometi.
Fiquem com Deus e tenham um bom final de semana, fui, vou comemorar o 13 de maio antes da inquisição chegar....

 

ldo Aníbal Lopes Arrais

 

Domingo para Cecília e uma biblioteca em Alenquer.

 

Ao ler os jornais de hoje, e ver o que tem nas revistas (veja, isto, é época, etc.) me senti informado demais, é muita informação para um simples domingo na vida de uma pessoa, Deus salve a ignorância, pois é ela que nos protege do que já existe no mundo.

Recebi de um amigo leitor, e cujo sonho e pretensão é ser poeta, um escrito para dar minha modesta e limitada opinião, é difícil ter que explicar para um amigo do peito que o desejo de escrever, de ser poeta, escritor, é algo que está em todos nós, que nem o talento para outras artes, sendo que o oficio de escrever é o mais doloroso, pois exige disciplina, tempo, conhecimento e dinheiro, é verdade, livros custam caro.

Não vou aqui me deter sobre o conteúdo das tais poesias, mais meu conselho e não opinião foi um tanto cruel, eu lhe disse: "amigo desista, existem outras coisas para se fazer, poesia é um campo minado, onde ou tudo já foi feito ou voce corre o risco de mais tarde ser ridicularizado", o direito de escrever todos temos, desde o mais simples escriba até o mais alto erudito, e para tanto basta irmos a uma biblioteca ou livraria e veremos centenas de títulos, mas que destes se formos apurar olhos, a visão e outros sentidos, só se salva meia dúzia, mas é melhor escrever bobagens, repetições, do que não escrever nada, já é um começo.

Mas mandei um recado para este amigo, leia, poesia é basicamente esforço no conhecimento do que já foi escrito, quanto mais poetas você ler, mais conhecerá e mais se afastará do fantasma da futilidade e banalidade no escrito, acho que perdi o amigo.

E no entusiasmo do Potyguara e do Roberto e Ismaelino, entre outros, para realizar nosso sonho antigo de ter um Museu em nossa cidade, confesso com certa ignorância que não sei se temos Biblioteca Pública em Alenquer, lembro de ter visto alguns livros espalhados em escolas e espaços particulares ou repartições, mas Biblioteca mesmo, nada, se eu estiver enganado me corrijam, mas neste embalo do museu já poderíamos engatar a biblioteca, livros são mais fáceis de se conseguir e existem projetos do governo federal juntos as editoras que viabilizam o abastecimento de livros de pontas, destes que são lançados e todos querem ler. Seria interessante visitar Alenquer e poder sentar numa confortável cadeira e retirar da estante um, livro de Cecília Meireles e ler um ou dois poemas do tipo.

 

"MOTIVO

Eu canto porque o instante existe

e a minha vida está completa.

Não sou alegre nem sou triste:
Sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,

Não sinto gozo nem tormento

atravesso noites e dias

ao vento.

Se desmorono ou se edifico,

Se permaneço ou desfaço

-não sei, não sei.não sei se fico

ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.

Tem sangue eterno a asa rimada.

E um dia sei que estarei mudo:

Mais nada”.

 

Este poema ficou muito conhecido pelo fato de o cantor e compositor Fagner, ter usado a letra em uma de suas canções, muito louvável este tipo de trabalho, pena que ele tenha desistido, mora numa cidade que fez cinqüenta anos, mas que possui mais de cinqüenta bibliotecas publica, quando falo pública eu falo de um lugar onde a pessoa pode entrar sentar e ler.

E se esta idéia for mesmo encampada pelo pessoal do Museu poderemos ter as duas coisas,um povo inteligente como o nosso, com acesso a leitura e as novidades do mundo literário, logo estará revelando mais gente escrevendo, pensando e produzindo, e não só uma meia dúzia que teve sorte de ter acesso a tais instrumentos, básicos para uma vida civilizada;

Outro leitor me liga me perguntando se só comento o que outros escrevem ou se só escrevo sobre a literatura alheia, ele me pergunta o que escrevo, eu lhe respondo escrevo sim, só que minha literatura é um tanto mundana, sem muitas raízes e refletem mais a contemplação que tive do mundo desde que me entendo por gente, mas se alguém se interessar, o que acho difícil, posso ser lido, em www.hjpoesiadocerrado.blogspot.com, talvez a maioria nem goste do que escrevo, mas isso pouco importa já que meu objetivo não é entrar para a galeria dos notáveis nas letras, mas sim para o selecto clube dos transgressores das letras, portanto amigos Alenquerenses, vamos dar força a esta turma do Museu, e da futura biblioteca, livros são apenas armas poderosas de transformação da sociedade, desde que lidos, só isso, nada mais.

E por falar em 50 anos de Brasília, a festa foi digna de ser ignorada, 8oo mil pessoas amontoadas na esplanada sob um manto de Skol, a dona da festa, até parece que era festa de 50 anos da Skol e não de Brasília, nada contra a Skol, desde que bem gelada, mas JK se estivesse vivo passaria longe dali, Niemeyer que não é besta mora mesmo é no Rio, a festa de 50 anos virou uma manobra dos bandidos no poder, fretam centenas de ônibus para trazer o povo da periferia para escutar cantores que nem daqui são e são pagos a peso de ouro, como todos sabem estamos sendo governados no momento pelo crime organizado, o eleito, era o homem do caixa da codeplan, era o Durval primeiro, o que deu certo, e os oito deputados diretamente envolvidos no escândalo da roubalheira, votaram nele, ou seja oito mais cinco votos que eles compraram deu 13, o numero de sorte dos bandidos....E a Intervenção que parece que vem de barco, vem de DOLIMAR e para chegar aqui vai levar um século e até lá é capaz de roubarem até a estátua do JK.Que Deus nos livre de tantos desmandos, mais ainda confio no STF, meus Deus ! que aconteceu comigo, confiando agora no STF, deve ser a feijoada que comi ontem, só pode...

Prefiro sonhar com o Museu e a biblioteca e o livro de visitas que ainda não consegui deixar nenhum recado queriam mandar um para meu amigo Antonio Guimarães e dizer que as portas aqui estarão sempre abertas e o coração também.

Lamento profundamente a morte do Luis Araujo, já o tinha escolhido para escrever o segundo prefacio do livro do meu pai, agora fica por conta quem tiver interesse é só me escrever.

Tenham uma boa semana, esta semana foi ótima, escrevi, telefonei, mandei email para flamenguistas amigos que conheço, mas até agora só silencio... E nós alvinegros gloriosos, ainda estamos por conta do sabor da vitória.

Meu escrito de hoje vai para meu primo Alexandre Arrais, o POP e sua família, que Deus esteja sempre com vocês tenham uma boa semana, e assim que Alenquer estiver sua biblioteca pública prometo ir lá para ler alguma coisa.

ldo Anibal Lopesais.

 

Fogão campeão! E uma história do Cocó.

 

Que o brasileiro está ruim de saúde não é novidade, que este ano só falaremos de política e futebol também não é novidade, que o crime organizado continua no poder em Brasília, isso sim é que não é novidade. É impressionante como somos passivos e aceitamos este tipo de situação, enquanto isso o Lulismo, esta doença grave se alastra com índices apavorantes de aprovação...
Realmente o povo brasileiro está muito doente, ainda bem que nos resta o futebol para podermos ter um pouco de alegria, mas hoje o dia é do glorioso e como diz um velho amigo meu vascaíno o flamengo e a rede Globo tem um papel importantíssimo na imbecilização das massas, e precisa?
Estive doente, não de flamenguismo ou de imbecilidade, de saúde mesmo e tive a oportunidade de dividir alguns momentos com pessoas sofridas e verdadeiramente corajosas diante das adversidades, já que eu me apavoro com um simples resfriado, e numa dessas ocasiões, enquanto aguardava para ser atendido no hospital, algumas pessoas riam e contavam piadas e me pediram para contar uma piada ou algum "causo" engraçado, como é possível? Nunca imaginei que pessoas doentes pudessem ter animo para rir, quem tem o direito de rir são os poderosos, ou os que sendo massa de manobra se acham pensantes, quem está em um hospital tem é que chorar, e muito, engano total, as pessoas riem e mesmo na dor buscam manter o bom humor, esta lição aprendi na prática e não numa mesa de bar tomando uísque "do bom".
Mas hoje é só alegria, só alegria, o fogão é campeão... E esta vitória vai para todo o povo carioca sofrido por tantas tragédias e desmandos é a vitoria de David sobre o gigante Golias global flamengo, que, diga-se de passagem, lutou muito, mas perdeu, e somos campeões.

E voltando ao hospital me lembrei de uma história que escutei muito na adolescência em Alenquer sobre futebol, Cocó todos conhecem ou deveriam conhecer, saudosa figura humana de humildade franciscana ficou conhecido pelo seu croquete e sua paixão pelo futebol, quando Cocó batia em alguma porta, no caso em questão lá minha casa nós corríamos para cima de sua bandeja de croquetes, cujo sabor e receita devem estar perdidos em muitas memórias alenquerenses.

Mas seu sonho mesmo era ser jogador de futebol, nunca conseguiu embora tenha jogado algumas vezes, transferiu este sonho para a arbitragem, nunca passou de bandeirinha, mas e dai? O que importa é o amor pelo futebol e foi de uma historinha de futebol que me lembrei do Cocó.

Final de campeonato do Baixo-Amazonas, Santarém x Alenquer, no primeiro jogo em Alenquer, ganhamos por 1 X 0, e o segundo jogo em Santarém, com o estádio lotado, precisávamos somente do empate, a arbitragem toda de Santarém, exceto um bandeira, e quem era este bandeira? Ora, Cocó... E o jogo estava no final Santarém ganhava de 1 X 0, persistindo este placar eles seriam campeões, pelas regras da época, mas Alenquer atacava e muito e aos 44 minutos e 59 segundos , ou seja no finalzinho, uma falta para nós.
Bola levantada na área, nosso artilheiro Bigurrilho sobe e de cabeça e marca, gol, gol, gol, os Alenquerenses vão a loucura é gol, o gol do título, todos pulam e gritam inclusive o bandeira, Cocó. O juiz Mocorongo olha para o bandeira pulando com a bandeirinha em riste e sentencia: Impedimento.
Invalidado o gol marcado por Bigú todos os olhares se voltam para o bandeira que ainda pulava com sua bandeirinha, que esqueceu sua função e festejava o gol como simples torcedor. Nunca entendi bem esta historia, mas parece que Cócó, quando time e torcida pegaram o rumo de volta para Alenquer, teve que voltar "fora do barco", veio numa canoa, dessas que vem amarrada atrás do barco.
Quando o coração fala mais alto, a razão vai para as cucuias, é sempre assim, acho que ninguém riu da historia, porque para entender esta historia tem que ser Ximango, tem que ter comido croquete do Cocó e ter conhecido os gols do Bigurrilho, fora isso resta à alienação e a tristeza de saber que para mudarmos algo neste País, temos que começar pela emoção, enquanto agora rimos de alegria pelo merecido título, 35 milhões de flamenguistas choram, como dizia minha saudosa tia Anica, chora que é bom, chora...

Este escrito de hoje vai para todos os botafoguenses espalhados por este imenso continente que muitos chamam de Brasil, é para todos nós. Merecida- mente, fiquem com Deus e tenham uma boa semana, esqueçam Lula, Brasília e seus bandidos e pensem apenas na estrela solitária tremulando, gloriosa, como deve ser sempre...

 

Escrito por: Aldo Aníbal Lopes Arrais, em 18 de abril de 2010.

 

A Pascoa e os pés descalços no bairro da                      Loanda.                                   

                             

 

Brasileiro que é brasileiro adora férias, não sou diferente, mas estamos de volta, nestas "férias" andei por tantos lugares que nem me lembro de todos, mas o melhor mesmo é voltar para casa, pois é em casa que podemos refletir melhor sobre o significado espiritual das datas. Páscoa e chocolate não têm nada a ver, aliás, chocolate só é bom para quem não tem diabetes, intolerância a lactose e é magro, tirando estes grupos é veneno puro, alguém me perguntou sobre o coelhinho de onde veio esse coelhinho?

Provavelmente, não tenho certeza, mas parece que tentaram e conseguiram associar a "ressurreição" de Cristo com os rituais e crenças de povos antigos "alcançados" pelo então Cristianismo, onde o coelho representava a fertilidade, confundida com a "Páscoa", ou seja, com a passagem do cordeiro, o próprio Cristo.
Como todos sabem a celebração da Páscoa pelos hebreus (há 3500 anos, lá no Egito), foi instituída por Deus como um memorial a libertação e saída daquele povo do Egito, a palavra páscoa significa movimento, passagem. A morte de Cristo representa a passagem do povo de Deus para uma nova condição, ou seja, a nossa caminhada para a libertação da morte espiritual é a passagem da morte para a vida e Cristo é a nossa Páscoa como bem coloca o apostolo Paulo em Cortintios 5-7.1

Mas infelizmente a figura do cordeiro, que é o próprio Cristo, foi substituída pela do "coelhinho", com óbvios atrativos comerciais, vender ovos de chocolate e impulsionar a indústria e o comércio de tal produto, nada contra o chocolate que é um delicia, principalmente aquele chocolate caseiro feito pela minha Tia Maroquinha, lá nós idos dos anos 60, continuem a comer seus chocolates, presentear seus amigos e familiares, mas que a memória do Cristo ressuscitado seja a páscoa de nossos corações e de todos nós sejamos Judeus ou Cristãos, pois a salvação é promessa para todos, por isso a morte de Cristo e sua ressurreição ser na mesma data daquela ordenada por Deus aos Judeus, naquele tempo distante, lá no Egito.

Perambulando nestas férias, em certo lugar perdi meus sapatos, tirei-os e não sei onde coloquei ou se algum amigo do alheio se apoderou, tive que voltar a pés, ou "depés" como se fala lá na Loanda, onde moravam e ainda moram muitos parentes meus, e onde fui muitas vezes levar recados de meu pai ao meu saudoso tio Rosi Batista, por um motivo que desconheço, gostava de ir a pés, mesmo sendo a Loanda daquela época cheia de pedregulhos e pedrinhas que inevitavelmente machucavam os pés.

Estas jornadas de minha casa no Largo da Matriz de Santo Antonio até a casa do tio Rosi, passava por muitas casas de parentes e eu fazia muitas paradas, nem sempre ia sozinho, as vezes passava na Tia Lolita para convidar o meu primo Sérgio, e a volta era sempre no fim do dia, não tinha hora para voltar, desde que o recado, sempre em forma de um bilhete grampeado, fosse entregue ao meu tio Rosi.

Nasci na Loanda, tenho profundo amor por aquele bairro, embora depois, por motivos alheios a minha vontade, tenha mudado para o Aningal, mas, estas lembranças de andar descalço na Loanda, servem apenas para eu me lembrar de que vivemos num mundo passageiro, onde a arrogância, o espírito de superioridade, a avareza, o egoísmo e a covardia, ainda são as pedras que machucam os pés das crianças, e que somente o Cristo poderá nos livrar destas dores, que afligem até mesmo os que andam calçados.
Para os cariocas esta páscoa será de dor, será de chorar seus mortos, mas lembremos que Deus em sua infinita bondade tem um plano para cada um de nós, e se fizermos nossa parte, estaremos por certo contribuindo para a melhoria de um mundo cada vez mais podre e decadente, onde a loucura mental e a estupidez dos políticos caminham a passos largos.
Logo estaremos indo as urnas, eu que já declarei meu voto, sou anti-Dilma, porque conheço a sua história de arrogância e prepotência, sou anti-Lula, porque conheço sua historia de traição a democracia e seu desejo de tornar um novo "caudilho" um Fidel Brasileiro, haja vista ser o Ditador sanguinário seu maior ídolo.

Já minha candidata, é a passagem desta sujeira toda para algo limpo, cristalino, transparente,conheço também a historia de Marina e seu apego as escrituras, está na hora de o Brasil ser governado por alguém temente a Deus e que siga realmente o que está na Bíblia. Que sejamos todos nós meninos descalços andando na Loanda para levar uma mensagem e que esta mensagem não seja só para o velho Rosi, seja para todos aqueles que precisam poderosos ou não, mas que nossos pés ao doerem lembremos-nos da dor de Cristo ao entregar seu sangue para lavar nossos pecados. Que a dor de Cristo seja o exemplo de caminhada que todos nós precisamos, exceto aqueles que se acham salvos ou são tolos, pois tolo é aquele que não crer em seu criador. Amém.
Tenham uma boa semana e fiquem todos com Deus, este escrito de hoje vai para o Pastor Edson Gouveia que me ensinou sobre a Páscoa e todos os moradores do bairro da Loanda e para minha mãe que ainda se preocupa com minhas caminhadas pelas Loandas deste mundo, descalço.

 

ldo Aníbal Lopes Arrais, em 06 de abril de 2010.

 

 

                                    PAX! E O MUSEU DE ALENQUER

 

Continuando a transcrição do editorial do também Jornalista, o Filosofo De Paula Guimaraens, datado de 03 de Dezembro de 1921, Jornal o MUNICIPIO Anno I nº03.

"Se o ideal ainda a outrem pode parecer a primeira vista inattingivel, inacessível, longe, hora em que vamos em marcha, pelo menos resta uma consolação balsamisadora, que elle continua de pé, firme, inattingivel, além, para onde nos leva conscientemente a segurança de nossa victoria, a certeza dos nossos passos, a crença inabalável de alcança-lo, além, disiamo-lo, onde edificamos o reducto, a praça forte das nossas esperanças e energias, da nossa certeza de plasma-lo em factos. E triumpharemos certamente.

E triumpharemos com a paz, com a calma, a tolerancia, o perdão que é o apanágio dos fortes. Não temos a carencia do sangue que pode confortar as paixões, mas não lava as consciencias; não carecemos de lágrimas porque ellas se constituem o recurso dos desamparados e dos tristes; não empunhamos finalmente a espada do duello de morte, fossilizado e archaico, porque é com a vida, que se inflige o castigo e socorre-se o vencido.

Para aqueles que querem ser nossos inimigos, por divergencia de rota, por intransigencia dos principios por inadaptabilidade da doutrina, afinal por um delirio de rito, oferecemos-lhes, o papel e a tinta para o combate: vamos á lucta.
Não n'a regeitaremos: muito em contrário, a desejamos.
Mas só acceital-a-emos na esphera de reflexão e da synthese, quer dizer , no dominio da razão, do bom senso, do mecanicismo equilibrado da mentalidade. Noutro campo a lucta é esteril. Haverá mortes e desditas e, mas nunca o triumpho.

Poderá rebentar em cacos pelo ar a força bruta, animalisa. Dá dos mais fortes, mas, sobre nadará no final, do seu confronto, erecta com a esphynge, doce como um confeito leve como uma pluma, a intelligencia, que outra cousa é senão a justiça, o direito, a lei moral, consubstanciadas e entrelaçadas n"um só grito pelo gladiador tranquilo, mas, invencível.

Porém, vamos em paz e com a paz.

Das impulsões do instincto irrefreado, do seio das grandes agitações partidárias, semelhantes a um grande vulcão que em plena actividade eruptiva irradiou e nós vemos sentimos que vem borbulhar as espumas crystalizadas da acalmia.
Embora em espumas, mas que venha e pontifique, porque vamos impor á infidelissíma e ingloriosa ardua tarefa de conseguir que toda a paz humana não seja ficticia, comediante, paz feita de ambições de guerra, no todo turbilhonamento do nosso grande seculo pantheista”.

A leitura deste escrito e de outros do mesmo autor, é sem dúvida alguma um privilegio de poucos, quer pelo quase desconhecimento do autor, por parte de muitos, ou pela falta de material disponibilizada para tal leitura. Deste autor temos excelentes trabalhos, alguns até sendo agora resgatados num memorável esforço do escritor Ismaelino Valente. Seria muito bom se todos os Alenquerenses , estudantes ou não pudessem ter acesso a estes trabalhos, dai a importância deste Museu Ximango que está sendo criado, não se trata apenas de um lugar para se "colecionar" objetos, mas sim um lugar que guarde a nossa memória histórica e emocional e divulgue aos que não a conhecem.
Daqui do meu cantinho, vou dar minha modesta contribuição, todos os documentos de relevância histórica deixados por meu pai, que dizem respeito a Alenquer, serão doados ao MUSEU, artigos, jornais, fotos, apimentados panfletos políticos da década de 50 entre outras coisas.
É importante que todos os Alenquerenses neste momento, relevem e esqueçam as divergências políticas e pessoais e se juntem nesta causa que é de todos nós. Como bem disserta o belíssimo escrito sobre a Pax ! Precisamos mesmo deste MUSEU, e se possível com toda a estrutura que torne possível seu funcionamento em prol de nossa cultura. É preciso também que tenhamos abrangência digital e que estas informações possam também ser vistas "fora do Museu", por Ximangos que estão em outros lugares, ou qualquer cidadão do mundo que queira saber nossa Historia; Concordo com o Roberto Mesquita e com o Potyguara, tem que começar logo, não se deve mesmo esperar pelo poder publico, mas garanto que depois que O Museu estiver funcionando, virão os políticos tirar uma casquinha, ai é a hora de exigir. Infelizmente é assim que funciona aqui nas SESMARIAS Brasileiras.

A lembrança de hoje vai para José Maria Colares e toda sua família, ele que foi meu vizinho "de parede", é saudosa figura de nossa memória Ximanga.
Então não esqueçamos, vamos participar deste ato de amor por Alenquer, tornar realidade o nosso MUSEU.

Fiquem com DEUS, e parabéns a minha filha LUIZA LIRA, provavelmente, sem corujice, a mais bela modelo do Capital Fashion Week, realizado este final de semana, aqui em Brasília.

 

Postado por Aldo Aníbal Lopes Arrais, em 23 de março de 2010.

                                      Pax! Parte I

 

"Vamos entrando, felizmente em plena phase da paz. O espirito de concórdia que há tanto se afástara do seio de nossa communidade volta hoje, azas espalmando sobre toda a nossa população, ainda há pouco convulsamente agitada.
A calma refrêa o individuo, a ponderação domina a sociedade, e a tranquilidade geral vae-se fazendo sentir com a serenidade dos grandes triumphos e a segurança das consciências libertadas. Nem outra cousa era por esperar.

Do baralhamento das idéas que campeavam em toda a profundura de sua intensidade; do reencontro das opiniões subversivas e intranquilisadoras; do balanceamento dos interesses persononalissimos, em foco, de onde irradiam chispas ou centelhas fulminantes de ódios mal contidos de vinganças mal dissimuladas de desforços pessoalisados mas, extemporâneos, impulsões naturaes da multidão sempre imórbida e surge agora lenta immane, indestructivel - a verdade -n'um deslumbramento de vistas, aureolada em forma Magestuosa e Saintilante de apotheose!

Venceu e irradiou a sinceridade do exterquilinio das paixões!
A franqueza é a formula definitiva, integral, da verdade. A sinceridade, o descoberto da lucta, fortes sustentáculos das almas puras, dos corações bem formados, dos ideaes que se definam e se estygmatizam em uma tenacidade de conquista factivel pelos bens concretos em que se extructura, fundamenta, são nossas melhores armas.

A paz que nos chega e que todos almejamos, dentro de uma religiosidade sem fetichismo, e que impomos com superioridade de visas como de assombro dos contrários, e até contra a perfidia, esconsa, múrmura, surda, dos legionários do despeito e da calumnia, agora mais do que nunca vituperiosamente esmaga por si mesma, e sepultada por nós no indefinido das nossas retincencias no contorno de nossas linhas de pontos e virgulas, afinal na mudez das nossas columnas em branco, é palpável, sensível, cristalina”.

1a. Parte do editorial escrito em 03 de dezembro de 1921, Jornal o MUNICIPIO, Cidade de Alenquer, pelo genial filosofo De Paula Guimaraens... Transcrito com a linguagem da época, De Paula, disserta sobre a paz, que todos nós precisamos nos dias de hoje, embora o texto tenha quase 100 anos, é de uma atualidade impressionante, estes jornais, todos serão remetidos, os originais, para o Museu de Alenquer, e este escrito de hoje vai para o Antonio Guimarães e toda a sua família, Tonhão é grande figura humana e amigo solidário das horas difíceis. Na quarta feira postarei o restante do editorial.
Fiquem com Deus e tenham uma semana de muita PAX !!

 

Por Aldo Aníbal Lopes Arrais, 22 de março de 2010.

 

  

 

1964, parte II, o Menino e o Museu.

Lembrando aos leitores que este escrito foi extraído de uma matéria publicada em 1960, embora titulada como 1964, pois foi quando aflorou o movimento cuja origem talvez tenha sido mesmo com a ascensão de Jango ao poder.
" Aurélio do Carmo, certeza de bom governo, certeza de lealdade, de trabalho, de honestidade de ponderação. Pela suas virtudes e qualidades excepcionais, doutor Aurélio do Carmo já deixou de ser apenas o candidato de um partido ou de uma aliança de partidos para ser o candidato da mocidade, candidato, enfim, de todo o povo paraense.
Nossa sede provisória está situada no tradicional bairro da Loanda, bairro dos operários, dos trabalhadores, do povo pobre, da gente ordeira e boa da terra Ximanga.
É nosso propósito, também, sempre empunhando a bandeira sagrada do verdadeiro nacionalismo, organizar brevemente ligas camponesas em quase todas as localidades do vasto e rico município, para falar uma linguagem nova e diferente, levando nossa mensagem de fé, de esperança e de melhores dias, as populações abandonadas dos nossos interiores, aos nossos irmãos caboclos das beiras dos rios e igarapés.
Diretoria do Comitê Pró Lott-Jango-Aurélio do Carmo, de Alenquer:


Presidente- Vereador Antonio Aldo Arrais Batista Torres de Castro;
1° Vice presidente - Licurgo Monteiro Nunes, contador;
2° Vice presidente - Jacob Ameram Athias, industrial;
3° Vice Presidente - Luis Marques Batista, fazendeiro;
4° Vice Presidente - Antonio Sabino de Araújo, fazendeiro;
5° Vice Presidente - Joaquim de Oliveira Martins Junior, vereador;
6° Vice Presidente - Rosomiro Batista Filho, criador;
Secretário geral - Carlos Rebelo, comerciante;
1° Secretário - Abenathar Lopes de Araújo, líder operário;
2° Secretário - Almerindo Afonso Pinheiro, comerciante;
1° Tesoureiro - Alcebiades Tavares de Souza, fazendeiro;
2 °Tesoureiro - Antonio Américo de Araújo, comerciante;
Diretores de propaganda - Francisco Chaves, Joaquim Lopes de Araújo e Everaldo Antonio de Jesus;
Operários. Orientador - Raimundo Marques Batista, Deputado Estadual.

Este é o inteiro teor da matéria, bastante interessante, já se falava de "ligas camponesas" em 1960, isto é matéria para os historiadores de plantão.

Quanto ao menino e o MUSEU, me lembro de uma historia que aconteceu comigo quando fui à primeira vez a um lugar chamado São Jorge, um vilarejo na chapada dos veadeiros, isso no início dos anos 90, me encantei com o lugar e notei admirado que as "beiradas" das ruas eram cheias de cristal, sim pequenas pedras de cristal, provavelmente trazidas pelas chuvas, meu primeiro impulso foi apanhar algumas e levar para casa como recordação. Confesso que peguei algumas, mas depois refleti, se todo turista levar uma pedra, logo elas serão apenas lembrança na cabeça dos moradores que não se importavam com que o turista fazia..
Hoje existem centros culturais em São Jorge e o povo se preocupa com a preservação da historia e do lugar, mas as pedras se foram quase todas, é raro encontrar uma, podem acreditar..
Luis Potyguara tem razão ao tomar esta iniciativa, e os que o ajudam também, e melhor lugar não poderia escolher, lugar central , a respeitada residência do meu querido amigo Luizinho Siqueira, parabéns Potyguara por abraçar esta causa e parabéns a todos que estão lhe apoiando e sei que são muitos. Alenquer já teve muitas coisas que foram levadas assim como as pedrinhas de São Jorge, seria a hora destas coisas retornarem ao seu devido lugar, pois a maior prova de amor a sua terra e deixar que as coisas que são dela, fiquem lá, onde é o seu verdadeiro lugar.
Quando uma pessoa chega num lugar a primeira coisa que pergunta é onde fica o museu, eu pelo menos faço isso, e tenho visto como cidades com menos história que Alenquer, cuidar de suas coisas com amor e muito zelo.Um museu não guarda só objetos, ele guarda a memória de um povo, que pode ser simbolizada num objeto, numa foto, num livro, numa peça antiga, enfim em tudo que possa traduzir em memória coletiva de nossa gente ximanga.

Esperar pelo poder publica é perda de tempo, na maioria dos lugares este tipo de iniciativa vem mesmo é das pessoas que amam seu torrão natal e nós somos muitos, se cada um contribuir com o pouco que tem de nossa historia, poderemos reunir um belo acervo, acredito mesmo nisso, pois tudo é historia, desde um objeto que pertenceu a algum ilustre ximango, até documentos e livros, que são as "bússolas da Historia”.
Certo dia eu conversava com o Roberto Mesquita e divagamos sobre objetos que Alenquer já teve e hoje não se sabe o paradeiro, nós que somos jovens (há muito tempo) conseguimos lembrar de muitas coisas, imaginem os que são jovens há mais tempo.

Esta iniciativa, que na verdade é um projeto de cidadania, de resgate de nosso passado e uma forma de homenagear nossos antepassados, além de proporcionar aos jovens (na idade) ximangos de conhecer um pouco mais sobre sua cidade, louvável e acho que todos nós independente de qualquer divergência, seja ela qual for, temos que participar, a causa é mais que nobre, é comum a todos,
Potyguara é o menino, pois seu empenho nas coisas que dizem respeito a Alenquer são de uma indiscutível paixão por sua terra, e o museu não é sonho não, acredito mesmo, ouviu Potyguara, acredito que logo será realidade.Boas sementes tendem sempre a germinar, e quem ganha com isso é Alenquer, vamos gente! vamos reunir nossas coisas que tenham significação e doar para o museu, tenho certeza de que serão bem cuidadas, preservadas e principalmente divulgadas.Já estou providenciando o envio de um quadro da artista Anita (Batista) Panzuti, que enfeita minha sala, mas que logo estará a vista dos Ximangos, além de outras coisinhas mais..
Alguem me perguntou, onde está o violão do Claudio Guimarães? O taco de sinuca de Mestre Lourival e do Zé Ito? A aparelhagem da Voz da Liberdade? Os instrumentos musicais de nossa Banda (a do general) as máquinas de escrever da escola Rui Barbosa, e por ai vai... Seria muito bom algumas destas coisas "aparecerem", seria bom mesmo.Fica aqui este apelo..
Meu escrito de hoje vai todos aqueles que abraçaram esta proposta, os bons ximangos.

A aniversariante de hoje é minha querida sobrinha-irmã, SABRINA ARRAIS,que Deus continue lhe abençoando sempre , como tem feito até agora, felicidades.
Fiquem todos com Deus.

 

ldo Aníbal Lopes Arrais, em 18 de Março de 2010

 

Ainda sobre o Movimento de 1964 e Alenquer, parte I

 

Quando estudei História, meu trabalho de conclusão de curso foi sobre o PARLAMENTARISMO E O GOVERNO JOÃO GOULART, na época pesquisei muito no Senado e Câmara e dei pouca importância ao aspecto regional, ou seja lá do Pará, embora o meu Estado historicamente esteja sempre no olho do furacão quando se trata de Brasil. Seja na cabanagem, (Regência Feijó), seja na Adesão a Independência, seja na Guerrilha do Araguaia, da recente História, o sempre escreveu com linhas heróicas história brasileira.

Algumas contradições marcam a Historia recente do Pará, no período pós 1964, na figura de vários personagens, um deles ainda vive, chama-se Jarbas Passarinho, militar que serviu a causa que acreditava ser a correta, mas não se trata disso que quero me referir como algo inusitado, eu tive um professor de historia do Brasil que sabia tudo de marxismo e mais alguma coisa e numa preleção ele citou Passarinho como "grande conhecedor de Marx", para ira e esperneio dos marxistas de plantão em sala de aula, militantes ativos e festivos de esquerda, a maioria estupidamente ignorante quando se tratava de Marx, achavam que Marx era tão somente o autor de” o capital", livro que ninguém, exceto Antonio Osvaldo conseguiu ler. Ao pesquisar em 1991 sobre o Governo parlamentarista de Jango, de breve duração, descobri horrorizada, alguma peculiaridade da época o que mais me chocou foi descobrir quem era Tancredo Neves, ainda bem que não vou falar aqui sobre ele, nem sobre seu neto gala das Minas Gerais, mas a historia está ai para mostrar quem era o santo do pau oco que o Brasil agora venera, basta lê-la, por outro lado descobri Passarinho e mesmo eu comungando com a doutrina de esquerda (ainda existe esquerda e direita?) atentei para a postura ética e humanística do então coronel e governador do Pará, e até hoje sem medo de patrulhamento besta-ideológico afirmo, é um dos maiores intelectuais deste País.

Voltando aos meus jornais velhos encontro um recorte de 1960, do Jornal o Semanário, do dia 17 de abril de 1960, portanto quatro anos antes do movimento de 1964, cujo teor transcrevo aqui na integra a titulo de colaboração para historia recente de nosso município e do Brasil.
PATRIOTAS DE ALENQUER Á FRENTE DO MOVIMENTO PRÓ-LOTT, JANGO E CARMO, NO BAIXO AMAZONAS.

 Alenquer, 17 de abril de 1960: Senhor redator de “O SEMANÁRIO” - Na qualidade de presidente da câmera Municipal de Alenquer e presidente da Sociedade Operária Ximanga, apraz-me levar ao conhecimento dos esforçados e corajosos companheiros de ideais nacionalistas que sob a minha orientação foi fundado em Alenquer, um dos mais promissores e populosos do Estado do Pará e, também, uma das cidades mais bonitas e progressistas de todo o baixo-amazonas, um Comitê nacionalista, contando com mais de oitocentos membros denominado ' COMITÊ NACIONALISTA LOTT – JANGO - AURÉLIO DO CARMO".
A principal finalidade do referido comitê é trabalhar com muito entusiasmo e vibração em favor das candidaturas 100% nacionalistas desses três grandes homens públicos, cujas existências heróicas tem sido toda elas, dedicadas ao bem do povo e da coletividade.

Para presidente da republica Marechal Henrique Teixeira Lott, essa grande e impoluta reserva moral de nossa pátria, esse nome honrado que é uma bandeira de esperança, um símbolo do nacionalismo sadio e uma garantia de respeito e de equilíbrio e de moralidade.

Para Vice Presidente: Doutor João Goulart, o autentico líder das massas trabalhistas do Brasil, de suas lutas democráticas e nacionalistas, sempre ao lado do povo . Desse povo altivo que "nunca será escravo de ninguém".
Para Governador do Estado do Pará: Dr. Aurélio Correa do Carmo, inteligência moça e fulgurante, jovem culto e preparado, advogado dos mais brilhantes de nossa terra, já tendo inclusive exercido por várias vezes as mais importantes funções públicas em nosso estado..." por motivos de adequação a linguagem da rede, e para não me tornar "longo" demais, divido em dois o artigo, na quinta-feira, publico o restante.

Mas é e de bom grado observar que o interesse pela historia é cada vez maior entre os jovens é bem possível que ainda este ano eu retorne ao magistério, de onde estou afastado já há algum tempo, e nada como voltar num momento em que o Brasil "mostra sua cara", muito corajoso o que observou o Dr. Ismaelino em seu comentário no livro de visitas, concordo com o seu pensamento, Lula é um amante das ditaduras e tá se lixando para os direitos humanos, que Deus ilumine nossos eleitores para que não ocorra de continuar esta política de caudilho de charuto, que enterrem Fidel logo, pois ele já morreu e não sabe e quem admira um ditador sanguinário, que nem ele, precisa urgente ler livros de historia, ou fará parte dela da pior maneira possível.

Meu escrito de hoje vai para uma pessoa muito especial, grande e saudoso amigo, um pouco esquecido pelos nossos historiadores locais, mas que na minha modesta opinião foi uma grande inteligência e um homem a frente de seu tempo, Antonio Onésimo de Araújo,daqui meu abraço a toda sua família.
Fiquem com Deus e até quinta se ele assim o permitir.

Postado por Aldo Aníbal Lopes Arrais, em 16/03/2010.

Um pouco da História de Alenquer  - Parte II

 

Fico sempre com um pé atrás com estas datas que homenageiam "categorias" de pessoas no estilo dias das mães, dos pais, da sogra, do índio, do evangélico, etc... Sem falar no fraudulentíssimo Natal que nada tem a ver com o nascimento de Cristo, mesmo porque Cristo nasceu em outubro e não no gelado inverno, todos sabemos que o Natal em dezembro é invenção dos romanos, para a data coincidir com suas festas pagãs, e bota pagã nisso. Ontem 08 de março dia internacional da mulher, parabéns ás mulheres, que agora tem o dia delas, e os outros dias, são de quem? Continuo achando que estas datas nada mais são do que pequenos ou grandes golpes dos gênios do markentig comercial, e olha que ontem as floricultoras e casas de presentes faturaram alto, pena que nos outros dias as mulheres continuem em sua eterna luta pela igualdade de direitos, que só no papel já se realizou. Claro que aconteceram avanços e muitos, podemos até ter uma mulher presidente, falar de mulher não é bem falar de feminilidade em alguns casos explícitos, e disso bem sabemos, mas mulher é mulher, e todos nascemos delas, isso já é motivo de nos curvarmos a elas, todo o poder ás mulheres...

Concluo aqui o escrito e transcrito sobre o "movimento" de 1964, com relação à política em Alenquer, que neste mês completa 46 anos e de tão recente ainda nem foi bem esmiuçado, e como brasileiro adora criar mitos e ritos, cabe a historia lançar um pouco de luz neste túnel ainda lacrado, mas que aos poucos vai se abrindo, "temos sede de conhecimento, e não aceitamos a pecha de alienados" acho que foi o Professor Cristovam quem proferiu tal sentença...


MANIFESTO


Dando maior ênfase ao sentido de seu gesto de renúncia o Sr. Antonio Aldo Arrais traz a público, através de manifesto que abaixo transcrevemos os motivos de autêntico sentido pacifista que o levaram a abrir mão de sua reintegração no cargo: "Ao povo de Alenquer, que me elegeu prefeito municipal, a Câmara dos vereadores, que me reintegrou no governo do Município, fazendo cessar um esbulho que a envilecia, devo, neste momento em que me sinto extraordinariamente reconfortado, explicar, também a renúncia que nesta data encaminhei aos senhores vereadores.
A decisão unânime da Câmara de Vereadores, reintegrando-me no cargo que a votação popular me conferira. Eu a recebo como uma reparação e uma manifestação de verdadeira justiça. Desmentidas e pulverizadas todas as falsas acusações que me foram feitas, comprovando que toda a ação desencadeada em meu município, onde até o sangue inocente foi derramado para satisfação de apetites políticos pouco recomendáveis, não passou de uma trama urdida pra tentar me aniquilar, sufocando ao mesmo tempo a voz livre e independente dos oposicionistas, provado que a coação policial provocou as humilhações contra meus familiares contra meus amigos e chegou ao extremo da cassação de meu mandato, eu agradeço aos senhores vereadores a de cisão reparadora.
As forças armadas que agiram , em relação a Alenquer, com absoluta isenção alheias as emoções do partidarismo mas norteadas por invulgar sentimento de justiça, eu dedico, neste momento de reparação, as minhas melhores homenagens, no reconhecimento das virtudes cívicas e dos sentimentos patrióticos que lhes deram a glória consagrada na Historia Nacional.
Plenamente reparado de tantas injustiças, venho no entanto proclamar ao povo de Alenquer que renunciei ao meu mandato, afastando-me do governo municipal menos pelo sentimento covarde da fuga, mais pelo desprendimento pessoal no reconhecimento de que o município de Alenquer necessita de tranqüilidade política, que, agora, cessada a influencia nefasta do passado governo estadual, lhe será dada, com perenidade, pelo novo governo inaugurado no Estado do Pará.
Diante desta perspectiva, não desejo, um só momento, que minha presença na Prefeitura de Alenquer, em decorrência dos atos que devem ser praticados na apuração de responsabilidades, pudesse ser invocada como motivo de suspeita, atribuindo-me razões de pura represália, tantas foram as humilhações que sofri de parte daqueles que, na conformidade da justiça, não encontram qualquer simpatia ou apoio.
Ao povo de Alenquer ofereço minha renúncia em troca da tranqüilidade que ele bem merece e pela qual tanto lutou, enfrentando a corrupção e resistindo a violência policial, na certeza de que essa tranqüilidade lhe será proporcionada, agora pelo governador Jarbas Passarinho e pelo valoroso companheiro José Simões, sem que lhe seja cobrado qualquer preço, muito menos o do sacrifício, o da honra e da dignidade”.

Esta é a integra, sem tirar nem por, apenas a transcrição, e volto a repetir que meu único interesse é histórico, não tendo nenhuma intenção em "remexer" sentimentos pessoais, de personagens envolvidos neste episódio, mesmo porque eu era apenas um menino de 05 anos e de nada me lembro, e sequer conheço os personagens desta época, a não ser alguns e mesmo assim, fora deste contexto, portanto me considero isento para proceder, como deve ser todo aprendiz de historiador, em breve publicarei um pequeno estudo que fiz sobre a participação do maior "nome" Ximango neste movimento, o escritor Benedicto Monteiro, provavelmente na data da sua prisão”.

Este escrito de hoje vai para o meu amigo Dr. Sérgio Fonseca e sua família, advogado atuante no baixo-amazonas e grande alenquerense (até no tamanho) e amigo de muitas alegrias.
A aniversariante de hoje é minha filha Thaiza Lira de Carvalho Arrais, que faz 19 anos, parabéns minha filha que Deus te abençoe sempre.

Fiquem com Deus...

 

Postado por Aldo Aníbal Lopes Arrais.

 

   

Um pouco da histporia de Alenquer - Parte I

 

Estivemos fora por alguns dias, estava atarefado com a conclusão da parte escrita do projeto Micro Usinas Familiares, mas que finalmente se concretizou, ainda bem. Estamos no mês de março e olhando um catálogo de publicações, vi que vários livros sobre o "Movimento de 1964" estarão sendo lançados neste período, em que tal ato-fato histórico completa 45 anos.

Alguns já me perguntaram por que falo "Movimento" ao invés de golpe ou revolução, ora as duas palavras são de extrema radicalidade, tanto de um lado como de outro, e como aprendiz de historiador, prefiro um termo mais técnico, menos apaixonado, menos parcial, ou se possível imparcial, este é o papel do historiador, as paixões deixo para os juízes da história.

Voltaire, o filosofo que se meteu em muitas enrascadas, e de certa feita após um período no cárcere foi a um evento e ali se encontravam vários "amigos" seus e lá constatou com tristeza que muitos dos que se diziam seus amigos, com medo de terem seus nomes associados a ele, passaram "murmurar", ou seja, o evitavam e se afastaram dele. Por que falo isso? Ora a historia é mais ou menos como estes amigos superficiais de Voltaire, dependendo do seu grau de envolvimento, é doloroso ou não se reportar ao tema. Para mim é particularmente fascinante estudar este período, eu tinha na época 05 anos e de quase nada me recordo, mas estudei com afinco os acontecimentos que antecederam e se seguiram ao 31 de março de 1964. E este documento que vou aqui transcrever é um documento público, e minha pretensão com isso é apenas histórica, todo povo dever conhecer sua historia, por mais que ela traga amargas lembranças, ou mesmo alguém se sinta "ferido", a história o nome já diz, está acima de paixões pessoais. Este artigo foi publicado no Jornal a "Província do Pará" de 22 de Junho de 1964, e também deve estar nos "anais da Câmara Municipal de Alenquer, se o fogo do tempo e da ingonrância não destruiu, para mim transcrever estes fatos e comentar sobre eles, tem o sabor de uma preleção escolar, apenas isso, sem nenhum tipo de motivação política já que no papel de me reportar a historia, ajo como historiador, só isso. Mas como evitar falar de política? E como eleitor já declarei meu voto aqui mesmo neste espaço e volto a reiterar: Sou Marina Silva desde criancinha. Vamos ao documento: "PREFEITO DE ALENQUER RENUNCIOU”.


Após os dias de agitação e violência políticas que recentemente viveu o município de Alenquer, com a instituição de um verdadeiro regime de terror e perseguições pelo grupo pessedista com o apoio e cobertura da policia do Estado, volta aquele município a gozar novamente de merecida tranqüilidade graças a intervenção das Forças Armadas que restauraram, ali a ordem e a legalidade. A Câmara reintegrou no cargo de Prefeito de onde fora alijado por manobra política desonesta, o Sr. Antonio Aldo Arrais, e o vice José Simões, que renunciou sob coação.

 

TELEGRAMA. No propósito de salvaguardar este clima de tranqüilidade, e reconhecendo haver sido plenamente reparado o ato de injustiça cometido por uma Câmara espúria de vereadores, composta de suplentes levados a ocupar o cargo por manobras do mais baixo sentido político, o Sr. Antonio Aldo Arrais decidiu renunciar em favor do vice-prefeito José Simões, enviando a Câmara telegrama de renúncia no seguinte teor: "Tomando conhecimento oficial de que essa douta Câmara de Vereadores, através da unanimidade de seus membros titulares e num imperativo da Justiça já me reintegrou no cargo de Prefeito Constitucional do Município de Alenquer, reconhecendo os meus direitos vilmente esbulhados por uma Câmara de suplentes ilegalmente compostas e que tomou a deliberação de cassar o meu mandato mediante coação da Força Policial do Estado. Considerando que nada ficou provado contra a minha pessoa e que todas as acusações contra mim foram totalmente desmentidas e pulverizadas, agradecendo penhoradamente a lealdade e o irrestrito apoio dos prezados companheiros que ficaram ao meu lado mesmo nas horas mais incertas e difíceis, agradeço também sensilibilizado e emocionado de comovente solidariedade e carinho da grande maioria do povo alenquerense, considerando a hora excepcional que atravessa a nossa Pátria querida respeitosamente apresento a Vossas Excelências, senhores vereadores minha renúncia em caráter irrevogável ao cargo de Prefeito Constitucional de Alenquer. Se minha renúncia nesta hora crucial da vida de nosso povo possa concorrer para que volte a reinar paz e tranqüilidade nos lares ximangos, ficarei plenamente recompensado por este sacrifício e peço a Deus não seja em vão. Um dia voltarei, sem ódios, sem rancores e sem vinganças, para tentar fazer de novo, de minha querida terra natal um poema de amor, justiça, felicidade e progresso. Deus ilumine Vossas Excelências para que possam escolher com acerto e sabedoria o meu substituto e que este seja digno do momento histórico em que vivemos. Antonio Aldo Arrais, Prefeito Municipal de Alenquer”.


A segunda parte desta reportagem postarei em seguida, atendendo ao pedido de meu filho Gabriel que pede para que eu me adapte a linguagem da internet, como se isso fosse possível. Neste escrito de minha homenagem vai para a minha saudosa professora de datilografia, da escola Rui Barbosa, onde tive a honra de me diplomar em 1970, Marianinha Barbosa de Assunção.

Tenham todos um bom final de semana e fiquem com Deus. Parabéns ao meu querido irmão José Omar Lopes Arrais que hoje completa 49 anos, mas com carinha de 30... Felicidades, mano.

 

Aldo Aníbal Lopes Arrais – 05 de março de 2010.

                             Cine Teatro... Ideal

Ir ao cinema talvez seja um dos meus maiores deleites mentais, além da atmosfera mágica da sala "penumbrada", existe também aquela coisa meio ritualística, da espera pelo inicio do filme, uma leve ansiedade que faz parte deste encanto chamado cinema. Tive a sorte de ser de uma geração que viu o cinema primeiro que a TV, em Alenquer, onde vivi até o inicio dos anos 70 e a televisão só chegou depois que eu sai, iniciei minha carreira de cinéfilo, que cultivo até hoje.

Ali no Cinema do "Zé Hage", grande empreendedor da época, final dos anos 60 e inicio dos 70, eu freqüentava todas as sessões do cine Ideal, antenado com as novidades anunciadas pelo serviço de auto-falante, na voz poderosa do talentoso Raimundo Santos, meu gosto pelo cinema começou ali, onde me encantei com os grandes clássicos: Os dez Mandamentos, Ben- Hur, Dr. Jivago e os maravilhosos Westerns, entre tantos outros, era o meu cinema Paraíso particular, sorte de quem passou por isso. Não conheço a história da fundação do Cine Ideal, como dublê de historiador não tenho vergonha de confessar esta falha, mas lembro de ali ter visto não só filmes, mas espetáculos de música com artistas " de fora" e com artistas locais, teatro com a turma da Sofia Yared, João Ferreira e muitos outros, sem dúvida o cine teatro Ideal foi fundamental para despertar meu gosto pelas artes cênicas (e musicais).
Com a chegada da televisão em Alenquer, acho que em 1975 ou 1976, não tenho certeza, O templo sagrado dos espetáculos não resistiu , assim como milhares de outros em todo o Brasil, o fenômeno de pulverização das casas do gênero em quase todas as cidades médias e pequenas , foi arrasador, só tendo sobrevivido as casas de exibição nas grandes cidades e atreladas ao consumismo dos shoppings.

Lembrar das sessões no Cine Ideal, é lembrar do meu pai, com o cigarro na mão, nesta época ele ainda fumava , quando falei para meu filho Gabriel que nesta época as pessoas fumavam no cinema ele riu , achando que eu estava de lorota, também é lembrar dos primeiros romances acobertados pelo "clima", pela "atmosfera" do lugar, é , saudade faz bem ao cérebro e a alma, e nem sempre ao coração.

Sem dúvida a TV trouxe muitas facilidades para as pessoas mas sepultou muita fantasia e poesia, o cinema de interior foi uma destas vitimas, e hoje já existe uma alegoria de saudade do tempo em que a família assistia TV na sala, todos juntos, ou seja dentro na nova estrutura de comportamento ainda havia uma sensação de "estar junto dos seus", que para tristeza de muitos a Internet expurgou de vez, agora prevalece o ato isolado da comunicação.
Ainda gosto da presença das pessoas ao meu redor, seja para ver um filme em casa ou para ver algo interessante na rede, hoje mesmo enquanto escrevia chamei meu filho Gabriel, que é intelectual a moda antiga, leitor, para opinar sobre minha escrita e ele foi categórico: "Longo demais, pai, hoje a linguagem da rede é sucinta, o senhor enche muita lingüiça...”

Vivendo e aprendendo! Eu que sempre quis ser apenas um razoável escrevinhador, corro o risco de não ser lido por escrever fora dos padrões da rede. Tudo bem vou tentar ser sucinto, mas acho que ainda não é hoje.
Assisti a um filme maravilhoso, " Mente que mente", tradução truncada de " The Great Buck Howard", este filme me levou de volta ao cine teatro Ideal, e ali me vi comendo bolo do "Zé Lemos" e tomando refresco no intervalo de mais uma sessão, citei o Zé Lemos pois vi uma nota do Dodó no site Alenqueremos, um grande abração Dodó Lemos, estou sabendo de seu sucesso na música Gospel, parabéns!

Meu escrito de hoje vai para Sofia Yared, João Ferreira, Miguelzinho, Marcilio e Violeta Barile, nomes que me vieram à memória no momento desta escritação.
Agora me recolho, igual jabuti, para meditar sobre o que é ser sucinto. Fiquem com Deus..

 

Aldo Aníbal Lopes Arrais – 24 de Fevereiro de 2010.

 

 

Lamentável a situação vivida por brasileiros que vivem nas áreas atingidas pelas chuvas, foi com tristeza que hoje ao abrir a revista mais lida do Brasil (Veja , mais de hum milhão de exemplares) deparei-me com fotos da desgraça que se tornou a chuva , no jornal folha de São Paulo também estão estampadas imagens da destruição.

É nestes momentos que me lembro do Prof. José Maria, no curso de direito ambiental, ele sempre repetia seu discurso meio "apocalíptico".." se o homem não parar, será parado, a natureza tem como se livrar da raça humana, com uma simples sacudidela", e lá se vão quase uma década e de lá prá cá , infelizmente a "visão" do professor me parece cada dia mais perto do real..
O que podemos fazer? nós mesmos cidadãos comuns, quase nada, os governos também não podem fazer muita coisa, isso vem de longe, transformações ambientais que se perdem no curso da historia, é o preço da civilização, do progresso e do domínio (será?) do homem sobre o meio ambiente.
As causas destas tragédias estão por demais evidentes, mas não quero aqui me deter sobre elas, mas sim sobre o que pode advir de bom com relação ao nosso comportamento diante de tais fatos o que temos visto é o ressurgimento de uma melhores coisas do ser humano, a solidariedade, que andava um pouco fora de moda, devido o advento destes novos tempos de consumismo, individualismo e culto ao corpo, os valores éticos-morais e até espirituais andavam meio esquecidos, estas tragédias servem prá nos mostrar que somos mais do que indivíduos em busca de fama, dinheiro, poder, beleza e ideais consumistas, pois diante da morte estas coisas deixam de fazer sentido.

Talvez seja esta a lição que devemos aprender, fazer nosso dever de casa, e isso a partir de nossa casa, de nosso dia a dia, construir um futuro que nossos filhos e netos não se envergonhem, muitos almejam na terra o paraíso, mas sequer dão conta de limpar o quintal de suas casas, já há aqueles que se posicionam como "juízes do mundo" e, no entanto não conseguem sequer entender o que se passa com o próximo. O crescimento de religiões e seitas malucas nos anos 90 não respondeu a necessidade espiritual do homem moderno, a crescente e vertiginosa ascensão dos livros de auto ajuda é uma prova disso, por falar em auto-ajuda, li um excelente “O Monge e o Executivo" muito bom mesmo, embora ao invés de auto ajuda eu prefira mesmo é a ajuda do alto, aquela que vem de Deus. Além das tragédias externas do planeta outro assunto que a revista Veja destaca é a depressão, já tivemos oportunidade de aqui mesmo falar algo sobre esta doença, que é a doença do milênio e mata mais do que mordida de cobra. Embora a ciência médica não fale, mas ela é uma doença espiritual e nos evangelhos ela já é descrita, o apóstolo Pedro foi acometido de "depressão", se sentiu um nada, um fracassado, fraco, covarde, enfim todos aqueles sentimentos negativos que ela traz, mas foi curada pela palavra, que é o cristo vivo, este sim cura qualquer doença do espírito, as do corpo deixemos os médicos fazerem seu trabalho.

Ao falar de depressão e do evangelho e de Pedro, não desejo causar polêmica nem despertar a ira de nenhum doutor das leis (sagradas escrituras) mas o que afirmo está lá, basta ler, Pedro estava mal depois que negou por três vezes seu mestre Rabi (Cristo) largou tudo e voltou a pescar, homem rude, avesso aos discursos, sentia-se um trapo, mas depois que Cristo o curou, na sua primeira pregação se converteram 3 mil pessoas na segunda 5 mil.

Portanto a cura para este mal, também é espiritual, a religião é uma necessidade do espírito, como já dito, bem praticado, de acordo com a doutrina do evangelho, ela faz a diferença, e por certo pode levar o homem a um entendimento das escrituras e de qual é a vontade de Deus.

Este assunto me lembra a máxima marxista de que o homem não precisa de religião, talvez o maior erro do marxismo, pois a religião é um elo com a espiritualidade, ela só em si não resolve, mas quando envolta em espiritualidade, boa vontade e firmeza de caráter, dá excelentes resultados, o homem não vive sem a espiritualidade, e a prova disso foi a primeira missa após a queda do muro de Berlim e do mito do comunismo, lá na praça vermelha, mais de um milhão de pessoas presentes.

Acredito que a lição das tragédias é esta, solidariedade, não só nas grandes tragédias, mas no dia a dia, no transito, em casa, na escola, no trabalho, com os amigos com a família, enfim, um pouco de solidariedade faz um bem enorme.
Já que falo de família, em nome de minha família, quero agradecer ao Dr. Ismaelino Valente, pelo seu trabalho literário no tocante a figura de meu pai, já o fiz de forma particular ( o agradecimento) e agora o faço de forma pública, o escrito fala por sí, esperamos com certa ansiedade por esta publicação, que por certo é um marco na literatura, em especial de nossa querida Alenquer, valeu Dr. Ismaelino.

 O escrito de hoje vai para duas pessoas maravilhosas que dedicaram suas vidas a educação e a cultura em Alenquer, e posso dizer que tive o privilégio de ser aluno das duas, Ilka Cabral e Caricia Valinotto, fica aqui meu registro...
Uma boa e solidária semana para todos nós, fiquem com Deus...

 

Postado por Aldo Aníbal Lopes Arrais – 07 de fevereiro de 2010

 

 

* Três mulhres e alguns homens...

Minha filha Carol parece que sente minha falta no domingo, este dia que é dedicado aos que gostam de ficar em casa, dormindo ou mesmo na preguiça, nada de TV, não tem nada que preste, nada mesmo, então porque não ler alguma coisa? Jornais, revistas, bula de remédio? Não, nada disso, vamos ler duas mulheres e dois homens-poetas.
Num rápido giro (isto é linguagem jurídica, clichê de petições e sentenças) pela biblioteca, percebo que tenho pouca coisa escrita por mulheres (poesia), ou elas não estão escrevendo, ou os editores não estão publicando ou eu estou precisando ir lá na livraria Jinkings meter um fiadão. Que não seja por isto, vamos ler um poema de Cora Coralina, as más línguas, sempre invejosas, dizem que só tem ela no Goiás, e precisa mais?

 Então prá transformar meu domingo em Goiás, já que vivo no "quadradinho" deste maravilhoso e rico Estado, já que sou comedor de pequi, "gueroba" e outras pamonhas mais, vamos abrir o domingo com este poema que é um hino á terra. Extraído do livro "Poemas dos becos de Goiás e Estórias mais" Ed.Global 14a. Edição 1987.

"O Cântico da Terra - Hino do lavrador
Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro o primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o futuro e vem a flor.

Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que prende se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranquila ao teu esforço.
Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.

Eu sou a grande Mãe universal.
Tua filha, tua noiva e desposada,
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.

A ti, ò lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.

E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranqüilo dormirás.
Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho,
do gado e da tulha.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos."

Ser um Ximango no Goiás é muito gratificante, nós da Amazônia sabemos apreciar como ninguém as maravilhas desta terra, terra de Cora, embora já se tenha rasgado muita seda para esta poetisa eu não me canso de lê-la, e de Goiás vamos para Minas, que é coladinha aqui, saiu do "quadradinho" já estamos em Minas..
É de Minas que vem a única mulher inserida no "Grandes Sonetos de Nossa Língua", seleção de José Lino Grunewald, edição de 1987, da Nova Fronteira..Não sei o que houve na escolhas destes sonetos, mas apenas uma mulher!! Não importa, uma é suficiente, desde que seja Cecília Meireles, assim como Anna Gorienko, lá na Rússia vale por dezenas de poetas, aqui no Brasil, Cecília vale por cem, sem exagero.
Falar de Cecília é arar o chão de Minas-Goiás para plantar milho e depois convidar os amigos para comer pamonha, é sempre bom, mas bom mesmo é saber que esta mineira está cada dia mais atual, poesia mesmo nunca envelhece o que passa é o modismo e as invencionices tolas da linguagem já aquela que nos atinge como um torpedo, esta fica e se crava em nossas memórias e corações, não é D. Cecília?

"A CHUVA CHOVE....

A chuva chove mansamente..como um sono
Que tranqüilize, pacifique, resserene...
A chuva chove mansamente..Que abandono!
A chuva é a música de um poema de Verlaine...

E vem-me o sonho de uma véspera solene,
Em certo paço, já sem data e já sem dono...
Véspera triste como a noite, que envenene
A alma, evocando coisas líricas de outono..

...Num velho paço, muito longe, em terra estranha,
Com muita névoa pelos ombros da montanha...
Paço de imensos corredores espectrais,

Onde murmurem, velhos órgãos, árias mortas,
Enquanto o vento, estrepitando pelas portas,
Revira in-fólios, cancioneiros e missais..."

A leitura de Cecília exige pouco do leitor, apenas sensibilidade, e isto quase todos nós temos, se bem que neste turbilhão de divagações e viagens pelas letras, o que podemos mesmo acrescentar em nossas vidas é esta quietude que nos traz o pensar poético, certa vez me perguntaram em uma aula de historia, que eu misturava com poesia, para que serve a poesia? Esta foi a pergunta literal de um aluno, sem querer me agredir, apenas por curiosidade, minha resposta também foi direta, eu respondi que a verdadeira poesia, serve para "aquietar a mente e confortar o coração", além do que é a linguagem de Deus..e ai ele me perguntou: Como discernir a boa poesia da má poesia?

Respondi, com grande alegria, ora se depois de lê-la você não sentir a quietude na mente nem coração confortado, então... Sabemos que poesia é mais do que isto, muito mais, mas isto já é um bom começo.

Mas não podemos fechar o domingo, sem a presença de poetas-homens, embora o mundo seja feminino (e não é?) nossa participação deve ser levada em conta... Escolhi dois, dois nomes conhecidíssimos dos "iniciados" neste ofício de ler poesia, mas talvez desconhecidos da imensa maioria... Extraídos da mesma seleção acima citada, um é Mario Faustino,( piauiense que morou no Pará, ou é Paraense que morou no Piauí?) O que importa é que Mário Faustino vai nos brindar neste domingo .

"SONETO


Bronze e brasa na treva: diamantes
pingam
(vibram)
lapidam-se
(laceram)
luz sólida sol rijo ressonantes
nas arestas acesas: não vos deram
calhaus
(calhaus arfantes),
outro leito
corrente onde roçar-vos e suaves
vossas faces tornardes vosso peito
conformar
(como sino)
como de aves
em brado rebentando em cachoeira
dois amantes precipites brilhando:
tições em selvoscura: salto!
Beira
de sudário ensopado abismo armando
amo r
amo r
amor a
morte
ramo
de ouro fruta amargosa bala!
E gamo."

Faustino além de genial nos leva a refletir sobre a nossa passageira condição humana e por certo contribui com o que chamamos de "pensar o tempo" como se ele fosse eterno, e não é? O outro poeta deste domingo é um mistério para muitos, baiano, embora com um nome estrangeiro este é o que os poetas chamam de "dono das letras", realmente Pedro Kilkerry tem muito a nos dizer e nós temos muito que com ele aprender, então não vamos mais perder tempo com lengalenga.


"CETÁCEO

Fuma. É o cobre o zenite. E chagosos do flanco.
Fuga e pó, são corcéis de anca na atropelada;
e tesos no horizonte, na muda cavalgada.
Coalha bebendo o azul um longo vôo branco.

Quando e quando esbaga ao longe uma enfiada
De barcos em betume indo as proas de arranco.
Perto uma janga embala um marujo no banco
Branindo ao sol brunido a pele atijolada.

Tine em cobre o zênite e o vento arqueja o oceano
Longo enforca-se a vez e vez arrufa,
Como se a asa que o roce ao côncavo de um pano.

E na verdade ironia, ondulosa de espelho
Úmida raiva iriando a pedraria. Bufa
o cetáceo a escorrer d'água ou do sol vermelho".

Certa vez, lá em Santarém por volta de 1979, durante um festival de Música, tive o prazer de ser convidado e compartilhar da companhia do poeta Rui Barata, amigo de farras e poesia, várias pessoas vinham lhe trazer poemas para ele "dar uma olhada" e queriam sua opinião, ele ainda sóbrio era bastante atencioso e sempre tinha um bom comentário a respeito do que lhe era dado para ler, mas depois de algum tempo já "cheio do mé", ele se virou e me disse : " Arrais, estou com dor de barriga, de tanta porcaria que já li hoje". Assim era o Rui, exigente com o que lia, porém generoso quando gostava,  gostar de ler poesia é uma questão de bom gosto e isto deve ser sempre levado em conta na hora e escolher o que vai se ler. Estas indicações de hoje , todas valem a pena, aos que não são aficcionados, recomendo, busquem mais e terão um agradável retorno.

Pois é, Carol, hoje é aniversário da Isabela Arrais, minha sobrinha filha da Ligia e do Parise, festão a base de comida árabe, Parabéns Isabela, para quem não sabe minha sobrinha é estudante de teatro na UNB, e excelente atriz, logo estaremos assistindo Isabela na Globo,não duvidem ela é "pequena"mas tem talento e garra, logo, logo, chega lá. Beijos Isabela...

Este escrito de hoje vai para uma família Ximanga, afinal mesmo escrevendo do Goiás (Brasília é o quadradinho de Goiás), não esqueço minha alma Ximanga, bom a memória de hoje vai para a família Iwasaka, e em especial para a minha saudosa amiga Sueli, que adorava poesia e lembro que ficávamos horas na leitura e conversando sobre os Iwasaka, só posso dizer que são pessoas maravilhosas, parte do contingente ético-moral de nossa comunidade Ximanga..E por falar no seu Iwasaka, lembro que certa vez perguntaram porque ele não "rebocava" sua casa, que embora fosse super confortável e moderna por dentro, por fora não tinha reboco de cimento, era o tijolo aparente, ele respondeu com uma simplicidade e inteligência que o caracteriza..Ele respondeu : " Iwasaka, mora dentro, né!", tive a felicidade de conviver com esta família e guardo sempre boas recordações.


Um bom domingo para todos, fiquem com Deus.

Aldo Aníbal Lopes Arrais, em 31 de janeiro de 2010.

 

 

* Carmen Batista e Ariú Sorubá

 

  

Hoje passei a tarde no Campus da UNB, eu e meu assistente Fabrício Passarinho, fomos fazer uma filmagem para um documentário sobre os Cupinzeiros, parte de um projeto ambiental que pretende trazer uma nova perspectiva em termos de nutrientes orgânicos, pretendemos com isso trazer opções de renda para famílias carentes do DF e entorno. É um projeto social original, inovador e de comprovada eficácia,inicialmente planejado para atender necessidades de uma ONG indígena, o IACIB, dirigida pelo meu amigo David Terena, ganhou logo novas aplicações, espero em breve vê-lo implantado em muitos lugares.

Embora viva em Brasília, há tempos retomei meus contatos com minha terra natal, Alenquer e agora que assumi o compromisso de me reportar mais a minha terra e a imensa comunidade que acessa o site alenqueremos, voltei da UNB pensando em minha tia-avó Carmen Batista. Encontrei um livro seu de 1965 sob o título "Flores de Sonhos-Trovas", Carmen Batista é pouco conhecida no Pará, embora tenha pertencido a Academia Brasileira de Trovas, e ter tido a honra de ver seu trabalho reconhecido no Rio de Janeiro onde viveu.

Este exemplar, dedicado ao meu pai, onde ela carinhosamente se dirige a ele como "inteligente trovador", nós dá a dimensão da importância das letras na família Batista, uma mulher escritora num tempo em que poucas mulheres se arriscavam a ir além das "barreiras" do lar, Carmen Batista merece que a leiamos, mesmo porque ela é uma referencia que podemos usar e nos orgulhar. É a chama Ximanga, que o tempo não apagou e que agora vamos reavivar, dela vou transcrever algumas trovas, e prometo em breve colocar o livro na integra, vou conversar com o Roberto Mesquita para equacionarmos a divulgação do trabalho desta poetisa ximanga.

Aproveito para pedir aos Batistas, quem tiver material dela que procure o Roberto para que possamos divulgar, acredito que muitos Batistas podem ter outros livros dela. Já me dirigi a Academia Brasileira de Trovas, pedindo que me forneçam mais informações a respeito de seu trabalho, para poder repassar aos ximangos.

Meu pai, só se assumiu como trovador depois dos 40 anos, embora já escrevesse (trova)desde cedo e por certo por influencia dela, já que ela o mencionou como o trovador em 1965, não encontrei muita coisa dele desta época em trovas. A trova hoje é um gênero da literatura (poesia) pouco utilizada, embora seja um dos gêneros mais fortes, complexos ( e difíceis) talvez por isso mesmo hoje tão raro, confundida com poesia popular de rimas fáceis ou até mesmo com o cordel, a trova sobrevive no Brasil a duras penas, tem na figura de Eno Teodoro Wenke, um dos seus ícones, além de outros da União Brasileira de Trovadores, da qual meu pai fazia parte.

Já tentei escrever trovas e nunca consegui, mesmo porque ela exige despojamento e invejável conhecimento gramatical e literário (eu não vivo sem os revisores), portanto eu tenho um respeito reverencial pelos trovadores, independentemente do seu grau de conhecimento.

Certa vez eu conversava com o poeta Antonio Roberval Miketen, um grande expoente da Literatura Brasileira e Portuguesa, que já foi professor de Literatura na Universidade de Coimbra e também parceiro literário de ninguém nada menos que Jose Saramago , ele demonstrou seu deslumbramento com a literatura de meu tio-primo Benedicto Monteiro e com as trovas de meu pai, ele se interessou pela literatura do Pará a partir destes dois e comentou comigo que desejava conhecer Alenquer, "terra dos Poetas" como ele mesmo batizou nossa "Princesa do Sururbiú". E neste encanto foi que ele escreveu um de seus melhores livros, "A Saliva do Verde", ambientado num lugar fictício que ele dizia ser Alenquer, MIketen se foi, sem conhecer nossa terra, mas ficou na minha memória o que ele me disse. Acho que às vezes nós Ximangos não damos o valor que nossos escribas merecem, talvez mesmo até por não os conhecermos profundamente, não falo do Bené nem de meu Pai que já são farinha de piracui, todo Ximango conhece, mas sim de dezenas de outros que cabe a nós resgatar. Então vamos lá.

“Nasce comigo a saudade

E vez meus dias tristonhos...

Mas Deus por felicidade

Deu-me estas FLÔRES DE SONHOS! “

 

Faço trovas pequeninas

De “Não te esqueças de mim”,

De rosas, cravos, boninas,

E de “saudades” sem fim.

 

E, pela vida componho

Um buquê de tantas flores,

Todas perfumam meus sonhos

E lembram velhos amores.

 

Entre o perfume da rosa

E a tristeza da saudade

Haverá flor mais formosa

Do que a flor da mocidade?

 

No mundo há tanta beleza...

No céu... Nos campos... Nas flores...

Deus fez rica a natureza,

E vida cheia de amores!

 

Teus perfumes de jasmim,

Beleza e graça da rosa,

Quando estás perto de mim,

Serena, leve, graciosa!

 

Meu destino porventura,

É semelhante ao da flor:

Nós campos, ser bela e pura,

Nas salas, sem vida e cor!

 

Amo as noites de luar,

- Fonte viva de saudade –

Minha Mãe, vejo a rezar,

No templo da eternidade!

 

Mina Mãe!... Quanta saudade

Daqueles dias de paz!...

O tempo sem piedade,

Avança, não volta atrás!...”

 

Talvez vivamos num tempo em que a poesia se resuma a exercicios mirabolantes de linguagem e experimentalismo, longe, bem longe deste lirismo puro, dócil e que tanto necessitamos em nossas vidas corridas e apressadas pela "modernidade" dos tempos... Precisamos todos deste lirismo, é uma maneira de tornar os dias tão "corridos" em lembranças mais doces e suaves.

Encerro com uma poesia, mistura de versos livres e trovas de Ariú Sorubá, talvez suas primeiras incursões neste difícil gênero literário, este poema ele escreveu no dia 14/10/1947, ainda estudante do Colégio do Carmo, para homenagear D. Hilma Batista, sua mãe...

 

“Mamãe!

À minha queridíssima mãe, de todo meu coração e com todos os afetos de minh’alma, ofereço reconhecimento.  

Ariu Sorubá

 

Um anjo maravilhoso e protetor

Toda bondade, paz e amor também...

Guiou na vida meus incertos passos

Esse anjo és tu, ó minha boa mãe!!

 

Mãe querida

De grão-valor

És minha vida

És meu amor!

 

Muito te amo

Muito de adoro

Só por ti clamo

Só por ti choro.

 

És bela, és linda

És diviva!

Tu és ainda

Meu ideal!

 

Fada querida

Luz e penhor

Da minha vida

Do meu amor!

 

Guardo contigo

Esta oração

No peito amigo

No coração!

 

Deus te proteja

Anjo do bem

Contigo esteja

A paz: “Amém”.

 

Dedico a escritação de hoje aos Batistas, todos eles, representados na figura de meu querido primo Luis Batista, por quem tenho profundo afeto, esta vai para você Luis, e para toda a sua família, um abraço do primo. Aldo.
fiquem com Deus...

 

27 de janeiro de 2010.

 

Reminiscências da infância (24/01/2010)

 

 

O ato de olhar antigas fotografias reflete muito mais do que imaginamos, ele traz a tona velhas e inesquecíveis lembranças, gosto muito de olhar fotos antigas, para a ciência este ato, o de olhar o passado serve como "combustível" para se analisar o presente e projetar o futuro. Explico, nós, seres humanos, temos uma grande facilidade de esquecer os momentos felizes e muitas vezes sequer mencioná-los, e uma fantástica capacidade de "relembrar" coisas ruins, talvez pelas marcas que deixam os fatos não tão agradáveis da vida. Fazer um exercício do que foi bom ou ruim, leva a extenuante tarefa de classificar os atos em si, uma festa que foi marcante em nossa vidas, pode ser casamento batizado, formatura só lembrou quando olhamos as fotos, mas aquela festa em que você bebeu demais , deu vexame ou passou mal, lembra fácil, ou aquele evento em que conheceu uma pessoa importante na sua vida, qual foi mesmo o evento? Muitos nem se lembram onde conheceram sua esposa ou marido, mas o dia em que levou um fora, ah... Este não se esquece. Somos assim mesmo é a nossa natureza, e é um dever de todos nós, lutarmos contra este desleixo da mente, devemos sim lembrar todos os fatos ocorridos em nossa vida, e dele tirarmos lições que podemos passar para nossos filhos e netos ou para nós mesmos. Hoje lendo a Veja, que já deveria ter parado de ler, mas é um vicio de mais de 20 anos, me deparo com a capa sobre o Haiti, fotos de desgraças, compramos a desgraça do Haiti, mandamos nossos "pracinhas" gastamos nosso suado dinheirinho e ainda posamos de pacificadores do Haiti, só não seguramos a barra do terremoto e ainda tivemos que enterrar nossos mortos.Nada contra o Brasil ajudar outros Países não se trata disso, mas sim de uma extrema hipocrisia de Estado, um Pais que sequer consegue expulsar os mendigos que ficam a 500 metros do palácio do rei lula, quer ser "consertador" de outros países.

As fotos são chocantes, mas para ver desgraça não precisamos ir ao Haiti, aqui mesmo na capital federal basta dar uma volta pelas satélites, pela rodoviária e pelos pontos de mendigos, aqui mesmo do lado de minha casa, em frente ao Pão de Açúcar nos temos um ponto "haitiano" miséria e riqueza se juntam nesta festa de hipocrisia que é a parte “ilha da fantasia” de Brasília.

É verdade temos um enorme contingente de funcionários públicos, outro contingente de terceirizados e outro tanto de gente que vive nas tetas do erário público, isso não é culpa do Brasiliense, que na sua grande maioria, trabalha e muito, e não vive de salários de duvidosos trabalhos em duvidosas funções, que me perdoem os que realmente trabalham de verdade, neste setor, que são muitos, mas que perto da imensa maioria,que não trabalha, são poucos, bem poucos. Ainda bem que tenho antigas fotos para olhar e posso lembrar de minha infância ultra feliz lá em Alenquer, e revendo fotos antigas no site alenqueremos, tive a certeza de que possuo um tesouro na memória e que preservar este tesouro faz parte de minha missão como ser humano,é bom relembrar coisas boas do passado, principalmente se estas lembranças lhe alegram o coração, a minha memória de hoje vai para o bairro da Luanda,no Brasil, no Pará em Alenquer, não a Luanda africana.

Era lá pelos idos de 1965, 1966 eu pescava com meu primo Sérgio "Theco" de dentro de casa, isso mesmo, da casa de minha tia Lolita, que no inverno fica "debaixo d'água", mas que sempre fica firme e forte, que nem minha tia que com mais de 80 anos está firme e forte, se bem que este ano, aliás, o ano que passou a enchente, a maior da história fez com que minha tia se ausentasse por uns tempos de sua casa n'água, mas já voltou e está tudo bem, logo quem sabe eu estarei por lá, pescando da cozinha, vou combinar com o “Theco”, nunca é tarde para se fazer o que gostamos..., alguém ai já pescou direto de dentro de casa? Não? Experimentem.

Meu recado de hoje é para minha amiga do coração Dra. Sandra Gomes da Costa e seu marido, lá na distante aldeia portuguesa, onde estão aguardando a chegada do "brazuquinha" Alexandre, parabéns pelo menino e que Deus esteja sempre com vocês..quem sabe antes da pescaria eu não dê um pulo ai para ver meu sobrinho? vou conversar com a Dilma, quem sabe...?

Bom gente, agora vou me recolher, pois tenho uma caixa de fotos para olhar e por certo ter boas recordações

Também me lembro em tempo de mandar um abraço para minha sobrinha JULIA LEAL LIRA que se formou em Enfermagem, lá em salvador e pelo que sei fez uma festa do arromba na sexta-feira, não deu prá ir Júlia, mas daqui vai meus parabéns, sucesso na nova e muito honrada profissão...

Um bom domingo e fiquem com Deus, que tenhamos todos uma boa semana e com boas lembranças na mente.

 

 

Postado por Aldo Aníbal Lopes Arrais

 

* Só para ximangos – Viu Ismaelino (12/01/2010)

 

 

Dos meus seis filhos, 03 homens e três mulheres, só dois conhecem Alenquer, A Carolina, que morou lá quando era pequena (continua baixinha) e o Antonio Neto (Toni) que também morou lá durante um tempo, o restante deles, Gabriel, Thaiza, Rafael e Luiza, não conhecem a "Princesa do Surubíu", até pouco dias atrás sequer sabiam o que é um ximango.

Claro que a culpa é minha, sou um alenquerense relapso, e devia ter ensinado meus filhos a honrar e respeitar a historia de nosso torrão natal, mesmo porque fazemos parte desta história, mas como tudo tem jeito nesta vida, acredito que agora eles terão "aulas" intensivas sobre Alenquer, e em breve levarei os quatro "estrangeiros" para conhecer a nossa terra.

Eles mostraram interesse e já vasculharam a rede em busca de informações e surpresos descobriram muita coisa sobre a Alenquer, e hoje quando ia começar a escrever sobre o Poeta Thiago de Mello, resolvi mudar o tema e escrever um pouco sobre a minha terra, embora de meus 50 anos eu só tenha vivido 14 em Alenquer. Muitas vezes já me questionei o porquê de nunca ter voltado, talvez por sempre ter sonhado com minha cidade e nunca tê-la esquecido. Alenquer para mim é como um amor antigo, longe , mas que jamais se esquece. Hoje estava "separando", algumas fotos e documentos que vou mandar para os "preservadores" da cultura alenquerense, Roberto da Cruz Mesquita e Ismaelino Valente, e como meu pai guardava todas as "Revistas Programas" da festa de Santo Antonio, casualmente folheei uma de 1994 e tinha um artigo do saudoso Jose Rafael Valente, me lembrei que o Guido Cordeiro lhe chamava de "Baluarte das Grandes Vitórias", tinha razão o Guido , Zé Valente foi uma das maiores expressões políticas de nossa cidade, e cabe a nós Ximangos relapsos ou não manter viva a nossa memória  a tradição e repassar aos nossos descendentes o orgulho que temos de nossa História Ximango.

Refiro-me aos Valente, pois meu pai, independente da questão política (que hoje é história) tinha profundo respeito e admiração por eles em especial pelo Ismaelino e fiquei muito feliz de saber que ele "incluiu" meu velho no rol dos Ilustres Ximangos, minha família agradece a honraria, combinei com o Roberto de lhe enviar o material que tenho sobre nossa cidade para que ele possa divulgar na página ALENQUEREMOS, acredito assim estar contribuindo um pouco e ajudando neste trabalho de manter acesa a chama Ximanga, também não esqueci da promessa que fiz ao "Palitete" e vou lhe enviar as fotos,.aguarde Palitete.
Alenquer tem muita coisa para se falar, poderia ficar aqui por incontáveis horas proseando sobre a "Princesa", e pretendo me voltar mais para este tema, Alenquer é uma fonte inesgotável de poesia, história e de muita saudade.

  

ldo Aníbal Lopes Arrais.

 

Fonte (foto): Aldo.

 

Seu lugar na Internet!