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 TRANSPORTE DE CARGA 
     PARA ALENQUER


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    A Nova Bandeira de Alenquer

  

  Colunas - Waldinor Batista  

Waldinor Batista
Mais uma novidade em nossa página são os textos de Waldinor Batista. Colunista de notícias Alenquerenses há muito tempo, conhecedor dos pormenores de nossa terra.

OBS: O texto abaixo foi extraído da coluna da Professora Beatriz do Valle no JORNAL O SURUBIÚ - seção COISAS NOSSAS  de 17 de de novembro de 1999. MAs o relato do texto foi guardado no Arquivo do Sr. Waldinor Batista

O saudoso senhor Olavo Batista - o celeiro de Alenquer -  Alenquerense de fibra e de família tradicional, sempre em rodadas de amigos, contava suas gostosas piadas e relembrava acontecimentos havidos em nossa terra.

Dizia seu Olavo que um certo dia, nos idos de 1917, o intendente de Alenquer organizou uma festa popular para homenagear o dia da Pátria, e pediu a seus auxiliares que procurassem uma casa que desse para comportar todas as camadas sociais, pois nestas alturas existiam classes: alta, média e baixa. Mas a festa seria para o povo em geral.

Depois de muita procura (pois na época não existiam sedes de clubes esportivos, muito embora existisse o União Esportiva, funcionando, provisoriamente, na residência do senhor Manoel Afonso, e o Amazonas Esporte, também sem sede própria, e que realizava suas festas dançantes em uma velha moradia na Travessa Santo Antonio). Naquele tempo não existiam outros bairros, eram só Luanda e Aningal, e a casa escolhida pelos auxiliares do intendente ficava na 1° de Maio, hoje Trav. Lauro Sodré. Esta foi logo descartada pois os moradores da Luanda não aceitariam, porque seria no Aningal, e a outra casa escolhida foi também descartada, pois seria na Luanda, bem ao lado da Igreja Matriz, onde hoje é a residência dos Soutos. O Intendente, preocupado com o problema da rivalidade entre os dois bairros, arranjou uma casa onde funcionava um comércio, que hoje pode-se supor que é a a casa que fica ao lado da Farmácia Popular, na Rua da Frente, como se dizia.

Chegou o dia da festa, e a banda de música, que era dirigida pelo mestre Joaquim Cotia, soltou os acordes de valsas, maxixes,  tangos, marchas e os primeiros sucessos do samba. Participaram da festa todas as pessoas importantes da cidade, principalmente os grandes comerciantes da época com suas famílias. A iluminação era na base de lampião a carbureto. Depois de algumas horas de animação os ânimos começaram a esquentar entre os presentes pela disputa de damas, visto que as senhoritas, filhos dos mais poderosos (primeira classe), já tinham saído da festa juntamente com seus pais, e diminuiu a quantidade de damas, ficando as filhas de famílias pobres (Segunda classe) e continuaram no salão os filhos de pais de grande influência na cidade (os filhos de papai). Começou a briga entre classes entre moradores dos bairros Luanda e Aningal. Com muito custo a policia conseguiu acalmar a disputa pelas damas.

Naquele tempo o sistema de prisão era um pouco diferente, mas para aquele tempo estava bom demais. Ele funcionava por trás da Prefeitura, local onde poderia ter sido realizada a festa como era de costume, mas estavam trocando o assoalho de massaranduba para pau amarelo e itaúba.

No dia seguinte a população comentava o que ocorreu na festa promovida pela Prefeitura. E, à tarde, como era de costume, grupos de pessoas se reuniam na ribanceira em frente da cidade à espera de um pescador, e entre estas pessoas estavam também os que participaram da festa da noite anterior, e começaram numa teima (bate boca) e foi esquentando, esquentando e saiu: socos, pontapés e hastes de lenha (na época era natural deixar os montes de lenha na ribanceira – eles eram o gás de cozinha de hoje e o combustível para as caldeiras das embarcações a vapor ... a antiga usina era à lenha). A pancadaria foi grossa, até que chegou a policia que conseguiu levar os principais culpados. E já estava escurecendo quando os culpados foram levados. Engraçado, dizia seu Olavo: “é que foram presos dois moradores do Aningal, usando camisas, vermelha e branca, e um deles se chamava Zeca Bochecha. E também estavam presos três moradores da Luanda, usando camisas de cores azul e branca, e um deles chamava-se Goela”. E hoje, dizia o mestre Olavo, “nascem dois grupos: Matutando em Férias e Zé Matuto, que trocaram as cores... o Matutando é Azul e Branco e o Zé Matuto Vermelho e Branco”.

Lembrou o mestre, que desde esta época já existia a rivalidade entre Aningal e Luanda, passando pelo futebol, disputas do gostoso folclore como os pássaros, o boi bumbá e outras manifestações populares; e hoje continua a rivalidade, principalmente no festival folclórico, mas com uma outra roupagem, bem social e compreensiva.

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